Cincinato | Brasil

QUANDO UMA TV ATACA A NAÇÃO

Gen Ex Luiz Gonzaga Schroeder Lessa

É extremamente lastimável que uma rede de televisão, de ampla cobertura nacional, se volte contra o seu próprio povo, procurando destruir o que ele tem de mais sagrado, base de toda a sua unidade: a família.
Não é de hoje que as Organizações Globo e muito em particular a sua TV Globo buscam interferir, de forma desabrida e escancarada, na família brasileira, não para reforçar os seus laços, mas para denegri-la procurando incentivar fissuras e lacunas, na certeza de que assim estarão desestabilizando, de forma definitiva, o estado brasileiro.
Assim tem sido na condução das suas novelas que, insistentemente, inoculam a desarmonia e o desrespeito familiar, aviltando os princípios basilares da sociedade brasileira, estimulando a quebra de padrões que concorrem para a sadia convivência entre as suas diferentes gerações. Incentivam as tão controversas políticas de gênero, que atingem crianças em tenra idade protegidas pelas leis brasileiras, muito em particular, pelo Estatuto da Criança e do Adolescente; incentivam a prática de atividades criminosas, que transformam os bandidos em pessoas de bem e os agentes
da lei em contumazes, perversos e violentos marginais. Esse tem sido o pano de fundo que norteia e orienta todos os passos da organização televisiva nos tumultuados dias de hoje.
Todavia, no programa Fantástico, de 8 de outubro p.p., todos os limites da TV Globo foram ultrapassados, quando passou a defender, publicamente, como arte, cenas do mais baixo nível, intrinsicamente ligadas à pedofilia, zoofilia, necrofilia, homossexualismo e outras bizarrices, taxando-as como educativas, destinadas a quebrar os tabus e os princípios de unidade que governam a chamada “família
tradicional”, por ela tão combatida e considerada, até mesmo, uma aberração. Por completo, ignorou a exposição de crianças inocentes a cenas tão chocantes e extravagantes.
A reação do povo brasileiro não se fez por esperar. O levante foi e continua geral em toda a sociedade com manifestações as mais variadas de pais, educadores, terapeutas, políticos, teólogos, sociólogos, padres, bispos, pastores, religiosos em geral que,
surpresos e sobressaltados, procuram entender as reais motivações do tão pernicioso proceder da TV Globo. Sem dúvida, essa TV defende e segue os ditames que se propagam mundo afora de que a família tradicional é obsoleta, deve ser destruída, e um dos pilares para tal é a ampla divulgação e posterior adoção das políticas de gênero e da prática dos princípios politicamente corretos, intensamente difundidos e divulgados na imprensa mundial e por nós tão avidamente assimilados, alicerçados na retórica reação-repetição- absorção, ou seja, a sociedade inicialmente reage, a seguir é submetida a maçantes repetições sob as mais variadas formas e conteúdos e, por fim, passa a aceitar os absurdos e a tolera-los como normal. Tudo de acordo com os ditames da agenda da Nova Ordem Mundial, que busca denegrir a moral, o caráter coletivo da sociedade, o enfraquecimento do nacionalismo, para a implantação dos seus nefastos objetivos de formação do cidadão (escravo) global.
Por todos os recantos do Brasil e mesmo no exterior, a reação contra a Globo tem sido surpreendente. Nas mídias sociais o clamor ultrapassa todas as fronteiras, sejam elas físicas, psicossociais ou políticas e mesmo em canais da TV aberta as críticas são contundentes. Não poderia ser de outra maneira para um país que ostenta a esmagadora maioria de 84,6% de cristãos na sua população, que não pode ver a cruz do seu Cristo ser vilipendiada e associada a ritos de perversão sexual, nem as suas inocentes crianças misturadas a marginais sociais que querem nos fazer assimilar, goela abaixo, modos de vida e princípios que a nossa sociedade repudia. Todavia, causa estranheza o silêncio de organizações costumeiramente vigilantes e prontas a denunciar problemas de muito menor envergadura, como a OAB, a CNBB e até mesmo o Ministério Público e o governo em geral, que se omitiram, por completo, em assunto de tamanha gravidade para o futuro da nossa juventude. As igrejas evangélicas, com o seu amor a Deus, sagrada devoção à sua fé e persistente defesa dos laços familiares, têm tomado a dianteira no combate à vil ação da Globo, enquanto os
católicos e os espíritas, como de costume, têm se mantido em silêncio. Apenas o bispo de Apucarana, Dom Celso Antônio Marchiori, fez um contundente pronunciamento na sua homília, no Santuário de Aparecida, quando da grande festa dos 300 anos da aparição da imagem da Virgem. Uma solitária voz. Que vergonha, CNBB!!!!
É preciso que todas as igrejas cristãs, em comunicado conjunto, repudiem as políticas deletérias e as campanhas difamatórias há muito adotadas pela Globo, mas incrementadas consideravelmente nos tempos atuais. Nesse particular, é oportuno relembrar o vibrante libelo J’ÀCCUSE, de Dom Lucas Moreira Alves, cardeal primaz do Brasil, em Salvador, em 1993, denunciando, há 27 anos atrás, as práticas costumeiras dos canais de televisão e que, hoje, se repetem com muito maior virulência: “ Acuso a televisão brasileira de ser demolidora dos mais autênticos e inalienáveis valores morais, sejam eles pessoais ou sociais, familiares, éticos, religiosos e espirituais.
Demolidora porque não somente zomba deles, mas os dissolve na consciência do telespectador e propõe, em seu lugar, os piores contravalores. Neste sentido, é assustadora a empresa de demolição da família e dos mais altos valores familiares – amor, fidelidade, respeito mútuo, renúncia, dom de si – realizada quotidianamente, sobretudo pelas telenovelas. Em lugar disso, o deboche e a dissolução, o adultério e o incesto”.
De há muito o povo já percebeu que a TV Globo é contraria aos seus valores mais caros e manifesta a sua repulsa nos níveis de audiência da empresa, que devem continuar caindo de forma consistente. Sem subterfúgios, os seus objetivos maiores de dissolução da família brasileira foram escancarados, em consonância com os ditames da agenda global a que se sujeitou, mantendo-se totalmente alheia aos tradicionais costumes e à profunda devoção religiosa da nossa gente, determinada, por todos os meios que lhe aprouver, a desconstruir os valores cristãos do povo brasileiro.

Rio de Janeiro, 18 de outubro de 2017

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ÁLVARO DIAS a alternativa a Lula, Bolsonaro, Dória ou Intervenção militar

Assista a entrevista 👇 com MARIANA GODOY e avalie.

Combate a CRIMINALIDADE

O Combate à Ponta do Iceberg da Criminalidade

O vulto assumido pelo crime organizado permite classificá-lo como ameaça à lei, à ordem e à própria sober

ania nacional, pois o Estado perdeu a autoridade em áreas, ainda que restritas, de algumas metrópoles no País. No Rio de Janeiro, existem complexos de favelas controlados por facções criminosas, que impõem a sua “lei”, constituindo um estado paralelo ao Estado nacional no exercício da violência.

O emprego das Forças Armadas (FA) na segurança pública, num quadro de garantia da lei e da ordem, tem sido contumaz. No entanto, é apenas paliativo com efeito superficial e de curta duração, haja vista o retorno aos níveis de violência e o controle da bandidagem tão logo as tropas são retiradas das áreas conturbadas. As FA não são preparadas nem estruturadas para a segurança pública, em que os conflitos devem obedecer a leis e regras rígidas, que limitam a liberdade de ação para o emprego da violência com a mesma letalidade exigida em conflitos armados na defesa da Pátria contra um inimigo externo.

As fronteiras nacionais são um dos pontos críticos na gestão da segurança pública, pois a extensão, a permeabilidade e a porosidade dificultam, drasticamente, seu controle efetivo e o bloqueio de ilícitos transnacionais. Tal dificuldade foi agravada pelos acordos de livre comércio e pela globalização, que facilitaram a passagem e ampliaram a circulação de cargas pelas vias terrestres, marítimas e aéreas. Se os EUA não conseguem evitar o maciço tráfico de drogas e a realização de outros ilícitos nos 3 mil km de sua fronteira terrestre com o México, contando com seus imensos recursos para esse controle, o que dizer do Brasil. São 17 mil km de fronteiras terrestres, sendo 11 mil km em selva, com centenas de entradas possíveis, e 6 mil km em área humanizada, com enorme fluxo de comércio.

As fronteiras marítimas têm 7,5 mil km com dezenas de portos que movimentam milhares de contêineres por dia, cuja fiscalização é extremamente difícil. O mesmo pode-se dizer da volumosa entrada de cargas por inúmeros aeroportos oficiais. Cumpre destacar que, na fronteira aeroespacial, aeronaves do tráfico de drogas e armas entram no espaço aéreo, voam por dez minutos, aterrissam em algum campo de pouso clandestino ou lançam sua carga e regressam, não dando tempo ao controle aéreo para reagir. Portanto, é um engano acreditar ser possível um controle tão efetivo das fronteiras a ponto de considerá-lo a ação principal contra a criminalidade.

No Brasil, esse combate tem visado mais às consequências do que às causas da ascensão do poder da criminalidade, que se aproveita de gravíssimas vulnerabilidades nos campos político, social, jurídico, policial e penal. Algumas importantes vulnerabilidades estão listadas no quadro a seguir.

As organizações criminosas (OC) de nível nacional (OCN) são o Primeiro Comando da Capital (PCC), presente em todos os Estados da Federação, e o Comando Vermelho (CV), com ampla disseminação no território nacional. Essas facções disputam entre si o poder em vários Estados e neles convivem ou atritam com outras organizações criminosas de expressão local ou regional (OCR). As ações das OCN e OCR, quando necessário, envolvem crimes violentos, de âmbito nacional ou transnacional, como os relacionados com tráfico de drogas, contrabando de armas, tráfico de pessoas, sequestros e outros; lavagem de dinheiro, que inclui a gestão de negócios com fachada de legalidade; infiltração em diversos segmentos da sociedade, inclusive na justiça, na política e nos órgãos de segurança pública (OSP); corrupção; cooptação; chantagem; intimidação; controle violento de comunidades e de várias atividades lucrativas como as de transporte.

Existem OC do tipo “máfia”, voltadas para os crimes financeiros e sem violência, envolvendo lideranças de altos escalões, partidos políticos e empresários. O mensalão e o petrolão são exemplos do funcionamento dessas OC, cuja repressão deve seguir o modelo da Operação Lava Jato.

O combate específico às OCN e OCR violentas, ponta de um profundo iceberg, é apenas parte da solução do problema, que exige, simultaneamente, ações estratégicas de longo prazo sobre as vulnerabilidades listadas no quadro anterior. Tais vulnerabilidades, como se pode deduzir, estão em diversos setores da Nação, além do que é relativo, especificamente, à segurança pública. Esse combate requer centralização, coordenação e integração, desde os mais altos escalões, em um Projeto Estratégico de longo prazo, com visão da situação desejada no futuro e os objetivos e as metas sucessivas.

A seguir, são sugeridas algumas medidas de combate às OCN e OCR, que não esgotam o rol das necessárias:
– endurecer a lei sobre Organização Criminosa, tornando a justiça ágil e mais rigorosa;
– emprego de forças-tarefa de composição mista (Jurídico, Inteligência e Operações) por Estados ou Regiões, com foco nas OCN e OCR, e não na bandidagem isolada; utilização da prisão preventiva aos enquadrados na lei e fim do foro especial;
– líderes e membros de maior periculosidade recolhidos em presídios especiais de segurança máxima, separados entre si e executando trabalhos rigorosos;
– controle rigoroso das visitas, inclusive de advogados, e das ligações entre esses presos e o exterior das cadeias, impedindo efetivamente o uso de meios eletrônicos;
– os alvos seriam as lideranças, as estruturas de gestão das OC e o seu braço armado; e
– as ações de inteligência buscariam identificar e localizar as lideranças e os apoios logístico, financeiro e político, enquanto as operações decorrentes seriam realizadas por forças-tarefa dos OSP e dos grupos especiais das Forças Armadas, quando necessário, ou pelo emprego de tropa em operações de grande envergadura.

A situação é gravíssima e sua deterioração poderá resultar num quadro semelhante ao de guerra civil, em que a perda da autoridade e da soberania interna pelo Estado traria, como consequência, grande risco para a unidade nacional. A Nação tem que ser conscientizada de que o combate à criminalidade será de longo prazo e implicará o emprego da violência com efeitos colaterais e, eventualmente, com restrições à liberdade individual.

Em curto prazo, poderá ser uma questão de vida ou de morte para o Brasil!

Publicação autorizada pelo Centro de Com.Social do Exército Brasileiro – O Artigo tem como autor  Gen Bda Luiz Eduardo Rocha Paiva

FATOR Py

 JC Berka

Autor do livro Executivos Políticos Bandidos

 

Atendendo ao meu amigo, Brigadeiro José Carlos Pereira, faço algumas considerações sobre o tema por ele dissertado ( BRASIL E PARAGUAY – CONSIDERAÇÕES SOBRE O FUTURO PRÓXIMO).

Toda vez que a Insegurança Pública atingiu níveis intoleráveis, o Governo lançou Planos Nacionais de Segurança Pública. Hora, elucubrados em laboratórios por “especialistas” que nunca sentiram o cheiro de pólvora, hora, fruto de ação coordenada do corporativismo das entidades de Segurança.

Por isso nunca vicejaram, ou reduziram os níveis críticos da Segurança de nossas urbes. Nunca foram fruto de uma ampla discussão da sociedade e de gente que conhece o assunto com profundidade e sem comprometimento corporativista e/ou com o crime organizado.

O novo Plano, editado pelo atual governo, reedita muito dos que o antecederam. Preconiza acertadas medidas, mas, dada a realidade circundante de um estado perene de conflito, numa selvageria que provoca um morticínio somente igualado por regiões envolvidas em conflito bélico, não pode ignorar o FATOR Py.

O Fator PARAGUAY, deve merecer a devida atenção e ser dimensionado em suas reais proporções.

O Paraguay, um lindo país, com sua gente amável e acolhedora, pais hermano do Mercosul, tem que ser, em benefício de nossa Segurança Interna, visto sob uma lupa. Não somente, como origem das drogas e das armas que invadem o território brasileiro. Não somente como a ameaça sempre latente do terrorismo na Tríplice Fronteira. Nem tão pouco como o risco exponencial da invasão no exterior do famigerado PCC .

Embaixadas de diversos países, serviços secretos de todo mundo, Centro de Emergências do Departamento de Estado Norte-americano, Adidos policiais e de Inteligência, correspondentes da imprensa estrangeira, ninguém ignora o verdadeiro Paraguay e sua preocupante trajetória. E todos, ao que parece compromissados com o pacto da Omertà.

Em tempos de crise financeira mundial, o país apresenta excelentes níveis de crescimento. É visível o boom imobiliário. A frota de veículos, tanto na capital quanto no interior cresce aceleradamente. O consumo popular não somente mostra crescimento em todas as classes sociais, bem como apresenta inequívocos sintomas de elevação em termos de qualidade e sofisticação.

De onde vem este movimento da economia? Do campo, da soja e da carne?

Da recente indústria cimenteira?

Do excedente de energia produzida por Itaipú?

Resultante da implementação da Lei de Maquila, regulamentada em 2000 e incrementada a partir de 2013, incentivando a instalação de indústrias estrangeiras no país?

Não!

Parafraseando Willian Shakespeare, “ Há mais mistérios entre o céu e a terra que a vã filosofia dos homens possam imaginar!”

Mas, o mistério do Milagre Paraguaio, pode ser desvendado.

Dois autores e suas obras, decifram-nos a Esfinge Guarani:

–  Moisés Naim, com seu livro ILÍCITOS – o ataque da pirataria, da lavagem de dinheiro e do tráfico à Economia Global

– Loretta Napoleoni e sua obra, Economia Bandida : a nova realidade do capitalismo.

Inúmeros outros estudos, tanto de estudiosos acadêmicos, quanto de organismos internacionais debruçam-se sobre os segmentos da Economia, marginalizados e manipulados pelo Crime Organizado.

Relatórios de Inteligência, estudos de Segurança, via de regra, ao abordarem a componente paraguaia como uma das causas do caos da Segurança Pública brasileira, limitam-se a elencar, contrabando, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

No entanto, ao estudarmos com atenção o fenômeno do desenvolvimento de nosso vizinho, e alertados pelos dois autores acima mencionados, verificamos que a situação é muito mais complexa. Tal como no Brasil, Rússia e outros países, o Crime Organizado, ali, encontra-se entranhado em todos os segmentos da Economia, permeando todos estamentos sociais e os distintos aparelhos do Estado.

Algumas destas ocorrências, ameaçam significativamente os povos vizinhos, notadamente o Brasil.

Podemos listar suscintamente :

– Tráfico de drogas

O Paraguay é o segundo maior produtor de maconha do mundo, sendo que a quase totalidade de sua produção tem como destino o Brasil ou o utiliza como rota para outros países.

O EPP – Exército do Povo Paraguaio, com aproximadamente 30 e poucos integrantes, atuando principalmente nas florestas do Norte, é catalogado pelos serviços de inteligência estrangeiros, mais como milícia a serviço da coca boliviana, do que um movimento insurrecional.

Inúmeros laboratórios de drogas sintéticas, notadamente, metanfetamina, produzem em larga escala e juntamente com outras drogas importadas, como ecstasy, fazem parte do cardápio ofertado aos brasileiros.

Farmácias de Ciudad Del Este, destino de mochileiros brasileiros, ofertam, juntamente com energéticos duvidosos, medicamentos falsificados, muitos deles oriundos da Índia.

Pasta base de cocaína, oriunda tanto da Bolívia, quanto da Colômbia, também são, de acordo com o DEA – Drug Enforcement Agency dos EUA, processadas em território paraguaio e levadas ao Brasil.

 

– Tráfico de Armas

Do Paraguay saem todo tipo de armas e munições para o Brasil. De diversas origens, municiam o crime organizado em nosso país.  Junto com armas e munições, toda sorte de equipamentos de espionagem.

–  Defensivos agrícolas e fertilizantes

O contrabando destes itens para o Brasil, tem crescido assustadoramente, pois não somente causa prejuízos a nossa Economia, como alto risco, tratando-se de produtos não fiscalizados, e eventualmente prestando-se a iniciativas de bioterrorismo.

–  Receptação de cargas roubadas no Brasil. Há pouco tempo o alvo destas quadrilhas era, principalmente veículos brasileiros roubados. Hoje são cargas sob encomenda.

–  Lavagem de dinheiro

Desde o caso do Banestado que envolveu também o Banco Amambay, que diversas instituições financeiras, casas de câmbio e doleiros, estão sob monitoramento internacional. O intenso comércio entre os dois países, bem como a necessária lavagem de dinheiro do crime organizado, tem formatado uma rede subterrânea de operadores de divisas. Não somente o crime organizado tem sido usufrutuário desta rede, mas também empresas e pessoas físicas, que pretendem ludibriar o fisco de seus países. Apesar de diversos acordos internacionais e de intensa vigilância, o Paraguay ainda é um dos paraísos fiscais, com acumpliciamento de suas autoridades. Hoje, predomina o Hawala, sistema informal de transferência de fundos, amplamente utilizado, por terroristas e até um bicheiro como Carlinhos Cachoeira. Ultimamente, tanto a indústria químico-farmacêutica, como redes de drogarias tem sido utilizadas na ponta do processo de lavagem de dinheiro de tráfico de drogas, armas, e mulheres.

Mas, segundo Saint Exupéry, “o essencial é invisível aos olhos” :

  1. Corroborando o ditado de que a maior esperteza do Diabo, é fazer os homens não acreditarem em sua existência, muitos apregoam a inexistência de membros do Hamas e do Hezbollah em meio a grande comunidade árabe na região da Tríplice Fronteira.

Mentira.

Muito antes dos atentados na Argentina à Embaixada de Israel e à sede da AMIA, que já era do conhecimento dos serviços secretos americanos e israelenses a existência de membros destas duas organizações na região. A partir dos eventos terroristas na Argentina, foi detectada também a presença de elementos do serviço secreto do Irã.

Óbvio que não existem campos de treinamento, sedes oficiais, mas muitos elementos destas organizações, quando acuados pela caça internacional ao terrorismo, homiziam-se no Paraguay. Com, ou sem consentimento das autoridades.

 

  1. Durante muitos anos, o Paraguay, constituia-se numa das poucas alternativas de reconhecimento diplomático para Taiwan. Junto, importante entreposto comercial para a indústria do país asiático. Junto também, a indústria da falsificação, desovada, principalmente, para o Brasil, através do contrabando formiguinha da Ponte da Amizade, e das megaoperações via lago de Itaipu.

Com o reconhecimento da China Continental, não cessou o relacionamento com Taiwan, porém novo protagonismo na área: a imigração chinesa e investimentos maciços chineses. Nem sempre de maneira legal. Tendo em vista as características da Economia Bandida, esta atividade, revestida em sua grande parte de informalidade e ilegalidade, trouxe, junto, o crime organizado dos países de origem: as Tríades Chinesas e Coreanas. Sendo que estas operam em sintonia fina entre Ciudad Del Este e a Cidade de São Paulo/SP.

  1. Com o desmantelamento militar das FARCs, na Colômbia, e a subsequente transformação da organização em agremiação política, parte de seus efetivos, rumaram para novos destinos dedicados à atividades ilícitas, principalmente subversão e tráfico de drogas. Se alguns membros adentraram a Amazônia Venezuelana e Brasileira, outros foram para o Paraguay.
  2. A visível falência do Bolivarianismo, tem suscitado, não somente o caos econômico e social nos países envolvidos nesta aventura ideológica, notadamente a Venezuela, mas também o desvio de divisas por parte dos mandatários que se sentem ameaçados a curto prazo. Daí, recursos levados clandestinamente ao exterior. Inclusive para o Paraguay.
  3. A Operação LAVA JATO, no Brasil, executando uma faxina geral, tem ocasionado um corre-corre em meio a empresários e políticos, intentando esconder seus malfeitos, desviando recursos, transferindo bens e fugindo à fiscalização tributária. Daí, muitos, sob a capa de utilização da Lei Maquila, se instalarem, precariamente em território paraguaio. Em breve, as investigações brasileiras comprovarão esta assertiva, e seguramente, o governo paraguaio terá problemas.
  4. Recentemente o Presidente paraguaio, Horácio Cartes, visitou o Brasil. Conforme a pauta oficial do encontro, entre os assuntos, um acordo para combate ao crime organizado na fronteira dos dois países. Segundo informações não confirmadas, Cartes, ofereceu em troca, apoio a iniciativa de privatização a Usina de Itaipú. Horácio Carte imita os governantes brasileiros, que antes de eleitos, prometem combate renhido ao crime organizado. No poder vivem em amancebamento com o mesmo. Vide governos FHC, Lula, Dilma e Temer.Horácio Cartes é uma das maiores fortunas do Paraguay. Um dos maiores fabricante de cigarros do mundo. Ano passado, uma operação conjunta da Polícia Civil e Ministério Público de São Paulo, desbaratou quadrilha de contrabando de cigarro que lavava o dinheiro, adquirindo postos de combustíveis. Cigarros do Paraguay.

 

Dia 17 de dezembro ocorrerão prévias eleitorais dos partidos do Paraguay, para escolha de seus candidatos à Presidência da República, em eleição que acontecerá em abril do ano vindouro.

O partido com reais condições de ganhar o pleito é o Colorado.  Que por sua vez, marcha para as prévias com dois candidatos. O candidato de Cartes, situação, é Santiago Peña, ex-ministro da Fazenda e ex-diretor do Banco Central.

O dissidente, MARITO, Mário Abno Benitez, da facção Colorado Añetete, senador e formado em Marketing nos Estados Unidos, é o franco favorito até a presente data.

Marito, incluiu em sua plataforma de governo, o combate ao crime organizado. Apesar de todos candidatos seguirem the book, incluindo isto em sua fala, inexistem indícios de comprometimento dele com o submundo paraguaio. Não obstante, deva se acautelar com os apoios e alianças contaminados por origens obscuras. Ninguém ignora, que quem dispõe de liquidez financeira e meios de camuflagem de origem de recursos para o apoio político é o crime organizado. Não somente no Paraguay, como em todo o mundo. Marito tem que ficar esperto. Pois, depois de Cartes, a expectativa é de mudança de rumos no país vizinho, que gere, com outras condicionantes, paz em território brasileiro. Torço para isto aconteça, senão, em futuro próximo, em termos de instabilidade e risco geopolítico, o Paraguay, na América do Sul, será a “bola da vez”!

 

 

BRASIL E PARAGUAY CONSIDERAÇÕES SOBRE O FUTURO PRÓXIMO

JOSÉ CARLOS PEREIRA
* Tenente-brigadeiro da Aeronáutica Brasileira e Ex- Presidente da INFRAERO.

 

Brasil e Paraguay são países vizinhos, amigos e membros do Mercosul.  Em breve, teremos eleições presidenciais no Paraguay, e, em 2018, no Brasil.  Ao contrário do Brasil, que atravessou a maior crise econômica de sua história e só agora apresenta sinais claros de lenta recuperação, nosso vizinho apresenta extraordinária vitalidade em sua economia – entre 2010 e 2013 teve expansão do PIB entre 13% e 14%.

Apesar de crises políticas internas e complexas negociações sobre o Acordo de Itaipu, o Paraguay conseguiu atrair investimentos de várias naturezas, ocupando, entre outras posições, a de 6º exportador mundial de soja e milho e 8º de carne bovina, além de forte presença nas áreas de algodão, óleos comestíveis e eletricidade, sobretudo para o Brasil e decorrente do Acordo de Itaipu. Na área industrial, destaca-se na produção de cimento, tecidos e produtos em madeira e aço. A Zona de Livre Comércio de Ciudad Del Este é uma das maiores e mais movimentadas do planeta.  No entanto, mesmo com excelente desempenho econômico, o Paraguay sofre, como o Brasil, de profunda e cruel desigualdade social,  com grande parte de sua população em estado de pobreza além de sensível percentual na pobreza extrema.

Um fator altamente preocupante no Paraguay é o desenvolvimento crescente de operações criminosas ligadas à produção e tráfico de drogas, tanto de origem  local como advinda de outros países, especialmente da Bolívia.  O fluxo natural do tráfico destina-se ao Brasil, não apenas como consumidor, mas, sobretudo, como passagem para distribuição na Europa e América do Norte.  Na região Norte do país instalou-se uma organização guerrilheira – Exército do Povo Paraguaio (EPP) – que se apresenta com objetivos políticos, mas, de fato, atua como facilitador de operações de tráfico oriundo da Bolívia e fonte de financiamento para suas operações.  É de suma importância a percepção da fortíssima presença de organizações criminosas brasileiras na extensa atividade do referido tráfico internacional de drogas. Deve-se acrescentar que, além de drogas, o sistema constitui o principal componente para contrabando de armas e munições destinadas a toda sorte de atividade criminosa. Particularmente no Brasil, tal fluxo de armas já constitui motivo de preocupação ao nível da segurança nacional e suas instituições.

No Brasil, vivemos brutal crise econômica recessiva, oriunda de erros crassos de gestão, ao lado de crise política sem precedentes.  No momento, há evidências de alguma perda de influência da política na economia, com claros sinais de recuperação econômica, apesar de profundas incertezas no campo político.  Houve claro retrocesso nos avanços sociais com crescimento do desemprego e redução de renda; aguarda-se para breve  a retomada dos programas corretivos de natureza social, na medida em que a economia recupera volume e confiança nos investimentos.

Avaliação sensata e isenta de preconceitos de qualquer natureza mostra que Paraguay e Brasil apresentam, no momento, excelente oportunidade para, tanto no âmbito do Mercosul como bilateralmente, planejarem e executarem ações incisivas em prol das duas nações e seus povos. Tais ações passam compulsoriamente por aumento de confiança e facilidades operacionais para agentes financeiros tanto nacionais como estrangeiros e seus mais diversos tipos de investimento. A interdependência entre Brasil e Paraguay é de grande extensão e vai de energia elétrica a logística de transporte. Existe enorme área de cooperação a ser explorada nos setores  de saúde pública, educação, tecnologia, turismo e produção industrial.  Atenção muito especial deve ser aplicada na área de segurança pública, particularmente nas operações do crime organizado internacional,  capaz de incapacitar a produção, afastar investidores, gerar represálias internacionais e promover insegurança generalizada. Parece óbvia a necessidade de ampla coordenação e cooperação entre as forças de segurança dos dois países, particularmente na área de Inteligência, para que se estabeleça uma segurança aceitável para nossas populações. Esse é um tema para nosso amigo João Berka, especialista em segurança e na sua manutenção.

Que se cumpra a lei, doa a quem doer!

      

Caros amigos

É revoltante assistir às reações de políticos face à situação caótica em que se encontra o País. Em um círculo vicioso de acusações, eles se manifestam como se a responsabilidade pelo desastre fosse de todo o mundo menos de cada um deles, quando, na verdade, entre incompetência, cafajestagem, rapinagem e ignorância, poucos são os “otários” que por compromisso com a ética e com a honestidade preservaram as suas reputações e não se envolveram no assédio ao erário.

No meio do povo, a grande vítima, há também responsáveis, porquanto um percentual ainda significativo de pessoas – por absoluta ignorância e apesar dos pesares – insiste em dar crédito à mentiras e em viver de ilusões.

Identificamos no Congresso algumas grandes quadrilhas,  como o PT, o PMDB e o PSDB, um lote de alcateias e alguns lobos solitários, todos, junto com a Suprema Corte, alvoroçados e acuados pela revolta do povo esclarecido, por malas de dinheiro, gravações, delações, vídeos e evidências investigadas e processadas pela polícia, pelo Ministério Público e pela Justiça de Curitiba, de Porto Alegre e de alhures.

É inútil querer tapar o Sol com a peneira e fingir acreditar que o gesticulante e verborrágico Michel Temer – há anos no meio dessa balbúrdia criminosa, cercado por “amigos de confiança” que precisam até de apartamentos para guardar a quantidade de dinheiro que roubaram – possa, nessas condições, ser uma ilustre, pura, ingênua e inocente vítima da má vontade do Procurador Geral, por mais venal e comprometido que este seja!

Nunca gritei “Fora Temer”, mas, tanto quanto Lula da Silva, Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima e outros, ele não é inocente e não há como não ser investigado, processado, julgado e punido! Pode haver um porquê ou uma discutível justificativa para protelar essas ações, mas não há qualquer razão para que não encaremos de frente esta realidade e a fatalidade de termos essa funesta cadeia sucessória na Presidência da República!

Levaremos mais do que uma geração para corrigir o mal que nos foi causado por esses bandidos e não há qualquer razão que justifique tergiversar ou aceitar remendos na busca da correção, mesmo que isso signifique protelar o início da recuperação. Chega de meias-solas, precisamos de um Brasil novo e não de mais do mesmo!

Que se cumpra a lei, doa a quem doer!

Gen Bda Paulo Chagas

ESQUIZOFRENIA SOCIAL

(Gen Ex Maynard Marques de Santa Rosa)

 

A transição atual é prolífica em extravagâncias que espelham interesses de todo o tipo, ensejando uma agenda surpreendente.

A proposta de trocar o sistema presidencialista pelo parlamentarismo, porém, é tema recorrente. Os políticos costumam culpar o presidencialismo dito de coalizão ou semiparlamentarismo, por tornar o poder executivo refém do Legislativo. Marotamente, omitem a causa da desarmonia: o parlamentar em função executiva. Pelo certo, o senador ou deputado, ao aceitar cargo no executivo, deveria perder o mandado legislativo, em favor do princípio da independência dos poderes. Da mesma forma, fingem esquecer que a soberania popular, fonte de todo o poder, escolheu o presidencialismo puro, em dois plebiscitos recentes. Além disso, é inoportuna. Uma reforma que delega mais autoridade ao estamento político, no momento mais crítico da sua credibilidade, é uma insensatez.

Outra preocupação relevante é a da violência urbana. Embora seja notória a crise geral de insegurança pública, o tema não consegue espaço na agenda legislativa. A redoma psicológica em que se abrigam os legisladores no Congresso parece torná-los insensíveis ao sofrimento refletido no índice macabro de 60 mil homicídios/ano, que supera o total de baixas somadas na Síria e no Afeganistão. A realidade social mostra que os códigos vigentes no país estão defasados. Uma explicação para o imobilismo seria a alienação ideológica.

Contudo, não se restringe ao âmbito legislativo o distúrbio da insensibilidade. A crise econômica e o desemprego de 14 milhões de pessoas não chegam a comover as corporações dos poderes públicos, responsáveis pela expansão de supersalários que transcendem os limites legais. Sobre fenômeno similar, escreveu Alexis de Tocqueville, em “O Antigo Regime e a Revolução”, que as teses dos enciclopedistas eram temas da moda dos nobres da França do século XVIII, nos convescotes de Paris e nos saraus da Corte de Versailles, como se não lhes afetassem a própria sobrevivência. Mais do que anomalia emocional ou moral, seria um sintoma de esquizofrenia social.

Outro aspecto contumaz da agenda subliminar é a chamada teoria do gênero. Inventada na Europa por pensadoras feministas, pretende alterar as leis da natureza, ao derrogar os sexos, como se o homem e a mulher fossem espécies diferentes dentro do gênero humano. O que surpreende é a assimilação do conceito pela grande mídia, que vem conseguindo inculcar a aberração na sociedade, até alcançar a legislação governamental.

O fato é que o humanismo perdeu o rumo e transpôs os limites razoáveis, ensejando um ambiente cada vez mais permissivo. O Brasil, por mais de quatro décadas, tem sido vítima de campanhas “construcionistas” que subverteram os valores sociais e desnortearam o senso comum da população. O bombardeio populista e ideológico, a partir da Constituinte de 1988, consolidou uma cultura de direitos sem deveres e minou o princípio da autoridade. O resultado se mostra nos indicadores de corrupção, violência e impunidade. Para agravar, escasseiam as lideranças políticas. Chegamos, assim, ao limiar da ordem política, econômica, social e jurídica. Portanto, é hora de reação, antes que o faça o instinto de sobrevivência coletivo, criador potencial de cenários escatológicos.

A ordem social que repousa em base falsa torna a sociedade suscetível ao presságio bíblico: “Quando vierem as chuvas, subirem os rios, soprarem os ventos e a vierem açoitar, ela ruirá, e grande será a sua ruína” (Mateus, 7:25).

Condomínios, um desafio da Segurança Pública no DF

JC Berka

Autor do livro EXECUTIVOS, POLITICOS & BANDIDOS

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Dados do GDF nos dão conta de que hoje Brasília conta com quase 100 condomínios regularizados e mais de 500 irregulares. De acordo, também com estes dados um entre quatro brasilienses vivem em condomínios.

Qualquer ser racional questiona a atual situação destes aglomerados humanos. Iniciado o loteamento ou fracionamento, ou mesmo a invasão, corre o Estado a instalar luz e água. Em seguida, ligeirinho, todos os tributos são cobrados. IBAMA e GDF fiscalizam arruamentos e edificações.

No período pré-eleitoral esta massa populacional não é ignorada. Pelo contrário, fagueiros e sestrosos os candidatos fazem um périplo pelos diversos condomínios, arrebanhando votos em troca de promessas de agilização dos processos de regularização.

Não bastante, picaretas de todos os naipes, corretores, donos de imobiliárias, burocratas e mesmo senador, correm a cobrar o naco do business da regularização.

Este assunto constitui-se um dos grandes escândalos de Brasília. Os partidos alternam-se no Poder local e a prática é sistêmica e sistemática. A picaretagem com terras e a manipulação do PDOT – Plano Diretor de Ordenamento Territorial, com adequações a interesses espúrios, com a manipulação de gabaritos e destinação de glebas, tem se constituído numa das grandes mazelas nestas plagas do Planalto Central.

Mas o enfoque que queremos dar é diferente: A questão da Segurança dos Condomínios e a influência na Segurança Pública do Distrito Federal é o objetivo desta abordagem. Vejamos:

Há muito que é política do GDF eximir-se da responsabilidade da Segurança Pública nos condomínios. Sob alegações alternadas de que falta efetivo, ou que estes aparelhos residenciais se constituem propriedade privada, tanto a Polícia Militar quanto a Civil, não circulam dentro dos condomínios.

Assim, ficam os mesmos, encarregados da própria segurança, recorrendo a estruturas orgânicas e/ou terceirizadas.

Via regra, recorrem ao mercado da utilização de porteiros, vigilantes e vigias. Ora, se no âmbito da Segurança Bancária, onde há fiscalização da Polícia Federal, onde o sindicato da categoria está mais presente, onde as cláusulas dos acordos coletivos de trabalho são mais efetivos, a situação é complicada, com elementos despreparados, mal recrutados e mal formados, no segmento condominial a situação é mais calamitosa.

Além dos efetivos de vigilância serem, quase sempre despreparados para a função, os mesmos, salvo honrosas exceções, são conduzidos por pessoas sem formação profissional. Quase sempre acumulam as funções de gestores administrativos ou operacionais (limpeza, conservação, etc.) com a chefia da segurança.

Quanto ao aporte tecnológico, os condomínios repetem o usual no restante das cidades : tecnologias ultrapassadas ou inócuas, disponibilizadas por empresas sem maiores compromissos com a segurança dos clientes : são meros vendedores de quinquilharias.

Claro que existem saudáveis exceções, mas estas são ignoradas em nome do mercado, ou melhor, na leitura equivocada do mesmo – menor preço!

Qual é o cenário? Lembrando sempre que nos referimos à grande maioria e não aos poucos exemplos que destoam do quadro geral.

A expressiva maioria dos condomínios não possui o perímetro bem delimitado, ou protegido. Muitos são limitados por áreas de preservação ambiental, impedindo o cercamento ou a instalação de equipamentos de proteção do perímetro. Em áreas de relevo acidentado são proibidas edificações que se situem em determinado grau de elevação, impedindo a construção de torres-vigia, mirantes ou simples observatórios. As portarias, cuja existência tem sido objeto de questionamento do poder público, constituem-se talvez no único aparato com destinação precípua à segurança das instalações. Mesmo assim, a maioria não obedece a critérios técnicos do conceito de security by design, isto é , adequação da arquitetura, na fase de projetos, aos reclames da necessidade de segurança. Obedecido este simples critério, tem-se a otimização da segurança como um todo com a concomitante redução de gastos com periféricos eletrônicos ou eletromecânicos.

Os controles de acesso são ineficazes, seja por condições técnicas, seja por incúria da segurança, seja por ação ou omissão de moradores avessos a qualquer tipo de controle. A vigilância, normalmente é executada por sistema de rondas, motorizadas ou não. Também este quesito é insatisfatório. Raros são os condomínios que exercem controle apurado sobre a observância das normas de vigilância.

Óbvio que neste cenário negativo, surgem ilhas de eficiência e as exceções somente confirmam a regra.

Que tipos de ocorrência se contrapõe à imagem de segurança dos condomínios? Certamente que tudo que ocorre fora dos condomínios, ocorre, também dentro dos mesmos. Ocorrem furtos, estupros (raros), tráfico de drogas, pedofilia, voyeurismo, agressões, etc. Porém um tipo de incidência tem chamado a atenção : invasão de domicílio :  tem condomínio que num período de seis meses teve mais de trinta furtos a residências!

Curiosidade: na maioria das residências furtadas, somente foram levados aparelhos eletrônicos, mais especificamente, televisões e aparelhos de som e vídeo. E este fenômeno tem se repetido em diversos condomínios, por todos os quadrantes do Distrito Federal. E isto é sintomático: via de regra é indicativo de furto para manutenção de vício de atravessadores de droga que consomem mais do que deviam e buscando saldar seus débitos com o traficante, recorrem a furtos de objetos facilmente aceitos por receptadores.

O tráfico e consumo de drogas correm soltos. E não é somente garotada adolescente, muitos circunspectos senhores grisalhos, remanescentes da Época de Aquário, dão seus pitacos e cafungadas, em público, sem constrangimento, e protegidos por uma lei de silêncio, tácita, que protege traficantes, passadores e usuários! Inúmeras denúncias à polícia, sem êxito. Raramente a polícia, comparece, e quando o faz normalmente é para periciar residência alvo da ação de meliantes.

Um fato preocupante que tem ocorrido é a atuação, esporádica, de policiais, da ativa, sendo contratados para prestarem serviço de vigilância; além de ilegal e irregular, pode descambar para a criação das indesejáveis milícias, que cedo ou tarde integrarão o crime organizado.

Mas o mais preocupante, e o que motiva esta abordagem é o tráfico de drogas. Tendo um mercado cativo, à mão, sem risco de perseguição policial e com uma população abundante e com bom nível aquisitivo, têm-se as condições ideais para gerar uma estufa da criminalidade, pois transformando alguns condomínios em entreposto da droga, podem espraiar-se por todas as cidades do DF, com mais segurança.

Ao analisar vários condomínios, com a finalidade de elaborar diagnóstico de Segurança, lembrei-me das cidades-refúgio do Antigo Testamento da Bíblia, onde homicidas involuntários refugiavam-se para fugir da Lei de Talião.

Alguns elementos mais antigos do estamento policial do DF, dizem que há muitos anos atrás, era entendimento da cúpula policial de que era necessário deixar alguns territórios para a criminalidade homiziar-se, evitando assim que atuassem massivamente no centro e trazendo o conflito para áreas urbanas elitizadas e priorizadas por uma Política de Segurança equivocada.

Não acredito. Acredito mais em incúria ou comprometimento de certos segmentos policiais com o crime organizado.

Porém, o mais importante é contribuir com ideias e atitudes que possam responder às necessidades de mais Segurança da população.

Sugiro à Secretaria de Segurança do DF, que procure, em parceria com a iniciativa privada, estudar o tema e através de grupo técnico de trabalho, sem politicagem, estabelecer uma política de segurança para os condomínios. Esta postura não somente traria uma diminuição dos níveis críticos de Segurança, melhorando as estatísticas, mas também traria dividendos políticos para os governantes que abraçarem esta causa.

Um dos problemas enfrentados por inúmeros síndicos ou comissões de segurança dos condomínios, remete ao dilema de implementar projetos de segurança e não onerar demasiado os condôminos. Quase sempre as taxas cobradas mal dão para honrar os compromissos com folhas de pagamento de funcionários e uma ou outra obra que se faz necessária à conservação e manutenção destes aglomerados urbanos.

Por isso seria de bom alvitre o estudo de um projeto-piloto, que contemplasse um condomínio, constituindo-se laboratório para os demais, somando os esforços do poder público e da iniciativa privada.

Uma ideia que talvez merecesse ser estudada era trazer o Banco de Brasília para exercer seu protagonismo como instrumento de politica social do DF. O Banco, assessorado por equipe técnica, aportaria o instrumental tecnológico, sob a modalidade de leasing, e/ou como agente financeiro de verbas da União a fundo perdido, e expandindo seu cardápio de serviços, faria seguro pessoal, saúde, de residências, seria o gestor financeiro do condomínio, etc.

Tenho certeza de que somando esforços, governo e população, chegarão a bom termo na resposta a este desafio, na busca de bem estar dos brasilienses.

BRASIL O IMPÉRIO DA INSENSATEZ IV

JC Berka

Autor do livro EXECUTIVOS, POLITICOS & BANDIDOS

 

Desintegração e Caos

Assista : O Brasil de Hoje

 

A impressão que se tem é que o país está anestesiado. Passada a indignação com os governos petistas, que levou milhares às ruas, vemos a abulia coletiva. Mesmo com a imprensa torpedeando diuturnamente, mesmo com operações diárias da LAVA JATO, mesmo com prisões de figurões e com a violência aplastante em nossas cidades, mesmo com o custo de vida em disparada, mesmo com a falência total dos serviços públicos, o povo encontra-se em estado catatônico.

Seguramente, nos demos conta de que trocamos seis por meia dúzia. A quadrilha do PT, pela quadrilha dos consorciados no butim do Brasil. Aí incluídos pilantras de todas as siglas partidárias, autoridades do Executivo e Judiciário, banqueiros, empresários e veículos de comunicação. O gnomo TEMER, o velho travestido de novo, usufrutuário de todas as pilantragens dos governos petistas, intenta com parceria de HENRIQUE MEIRELLES, simulacro patético de ser humano, repassar a ideia da Grande Mudança, acenando com reformas realizadas a toque de caixa, e processo criminoso de compra de votos no Congresso.

Falando em Congresso, chegamos ao nível mais baixo em termos de moralidade e ética. Depois do safardana CUNHA, presidente da Câmara, temos EUNÍCIO OLIVEIRA, na presidência do Congresso. Quem em Brasília, medianamente informado, desconhece que é este corrupto? Quem no meio político, ignora sua trajetória e peraltices?

Esta é a medida dos homens que nos representam no Legislativo. Este é o substrato do povo brasileiro. Pobreza e indigência mental, mantém esta corja pontificando nos acordos, conchavos, propinoduto, enfim, tudo, menos em legislar em benefício do povo.

E nosso Judiciário?

Vamos nos ater somente na Suprema Corte.

Como explicamos a presença no cume de nosso Judiciário, figuras como : TOFOLLI, MORAIS, GILMAR MENDES, MARCO AURÉLIO e LEWANDOWSKI? Quem no meio político, empresarial e dentro dos órgãos de Segurança e Inteligência, ignora quem são estes personagens? Como podemos aspirar JUSTIÇA, com estes operadores mercenários?

Irresponsáveis de todos os naipes, pontificam serem nossos problemas de origem econômico-financeira. Que as reformas da Previdência, do Trabalho, Tributária e Política, vão nos conduzir ao Nirvana.

Mentira!  Nossos problemas são de ordem Moral, Ética. De escala de Valores invertida. Mudanças patrocinadas por quem compra voto, e por quem se prostitui na vida política, somente pode engendrar aberrações para obnubilarem corações em mentes. A classe política brasileira, sem exceção, tal o grau de conivência ou omissão com os desmandos governamentais, são filhos de chocadeira. Sem compromisso com as gerações atuais e futuras. Verdadeiros gafanhotos da riqueza brasileira, gente cuja única utilidade é transformar oxigênio em gás carbono.

Mas vejamos um pouco mais além:

Um país que tem 60.000 homicídios por ano; tem 250.000 pessoas desaparecidas anualmente; é o primeiro fornecedor da América Latina de mulheres para o tráfico internacional; segundo maior consumidor de drogas; tem o terceiro lugar em massa carcerária; com ocorrência enorme de estupros e pedofilia; campeão mundial de roubo de cargas; de acordo com a Transparência Internacional, o campeão de corrupção na América Latina, somente perdendo para países africanos, é também o país onde tem crescido a mortalidade infantil e o analfabetismo, que, quase extinto nos governos militares, voltou a crescer exponencialmente.

Um país cujas igrejas, de qualquer denominação, omitem-se, pecaminosamente, ficando do lado dos poderosos, em troca de benesses. Sou cristão, mas tenho vergonha da dita “bancada evangélica, dos pastores televisivos, gente que vende a “prosperidade aqui e agora”, da CNBB, acumpliciada com o Poder, omissa no denunciar o grande pecado social, quando num passado recente, apequenou o Evangelho sob a ótica marxista e foi conivente com os descalabros dos “socialistas sul-americanos”.

Um país, prenhe de repórteres investigativos, de uma mídia expoente em termos de tecnologia, mas que produz, diuturnamente lixo para deseducar e massificar um povo.

Um país, com 400.000 médicos, que se insurgiram com o programa “Mais médicos” e são protagonistas do descalabro da saúde pública, dos planos de saúde privados, do conluio com a indústria químico-farmacêutica, consagrando por omissão ou cumplicidade crimes contra a vida de um povo.

Um país com mais de um milhão de advogados, vive num dos mais injustos países do mundo, onde as estrelas da profissão são coniventes com o crime organizado e lucram como nunca com aqueles que surrupiaram os cofres públicos, consagrando-se num mix de rábula & sofista. Gente cuja inteligência foi colocada a serviço do Mal. Lembremo-nos de MARCIO TOMAZ BASTOS.

Para não me alongar, quero tecer algumas considerações:

Os horizontes plúmbeos já prenunciam uma verdadeira hecatombe brasileira. Sem ser catastrófico ou profeta de uma síndrome do terror, mas racional, afirmo que não sairemos deste grave momento da vida nacional, sem sofrimento. Não existe parto sem dor.

Com o tecido social esgarçado, o organismo contaminado, é impossível a desejada sanidade sem sangria. Agora, finalmente, veremos que o “ jeitinho brasileiro” procrastinador de soluções reais e definitivas, não resolve.

Não somos um povo dócil, amável, não dado a conflitos: basta ver o número de cadáveres que produzimos sem guerra, ou sem cataclismos naturais.

Somos violentos. Somos letais. Matamos por nada. Somos um povo enfermiço.

Aí, as novas “vivandeiras dos quartéis” num assédio constante, buscam agitar a caserna para “salvar o Brasil”.

Diante da escalada violenta do crime, da falência dos serviços públicos, do processo irredutível da corrupção com ou sem LAVA JATO, vamos assumir a guerra não declarada, a guerra assimétrica, já em curso.

Neste contexto, a perplexidade é total: e os militares?

Para quem tem memória ou idade, estamos muito piores do que em 64.

Serão os comandantes militares de hoje, feitos de argamassa distinta dos que os precederam? Seriam os de ontem machos, e os de hoje acovardados? Foram acumpliciados pelas benesses do Poder?

Hoje estão cabrestados por instrumento constitucional? Foram castrados por “comissões da Verdade”, condenações em fóruns internacionais?

Esperam o pedido de socorro da sociedade civil?

O sangue nas ruas ainda é pouco?

Não creio.

Graças a Deus, nossos militares não tem vocação para guarda pretoriana do Poder. Tenho certeza de que todos aqueles que aceitaram fazer parte deste desgoverno TEMER, são os mesmos que repudiavam a corja petista.

Eu, como maioria dos brasileiros lúcidos, não queremos um GOVERNO MILITAR, mas não há possibilidade de enfrentamento da atuais condições adversas, sem o protagonismo militar.

Quero, que a mensagem do estamento militar para a POVO BRASILEIRO, seja a dos espartanos no Desfiladeiro das Termópilas, na Antiga Grécia, quando da defesa de Esparta: a subordinação do Poder Militar ao Poder Civil.

Mas agora, devemos ter coragem de assumir posições.

É imprescindível uma intervenção militar. Temos que evitar uma sangrenta guerra civil.

Umas das primeiras medidas deverá ser o FECHAMENTO DO CONGRESSO.

Uma intervenção no SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.

A busca na comunidade Acadêmica de Profissionais para ajudarem na administração do Brasil de hoje, muito mais complexo que em 64.

A restruturação dos Aparelhos de Estado, de Segurança e Inteligência.

O apoio incondicional à LAVA JATO, como instrumento saneador da sociedade brasileira.

 

Por incúria ou omissão, todos nós, ajudamos a desconstruir este belo país. Cabe um mea-culpa coletivo e a coragem da mudança.

Não podemos ficar alheios ao sofrimento do pobre, do fraco, do desvalido, do infante e do velho.

Senão, valerão as palavras de JOHN DONNE, citado por HEMINGWAY:

“ Não perguntes por quem os sinos dobram, eles dobram por ti!”

 

Assista este vídeo:

BRASIL O IMPÉRIO DA INSENSATEZ III

JC Berka

 

O sistema carcerário brasileiro

 

“ Lasciate ogni speranza a voi ch’entrate”

                                                      A Divina Comédia de DANTE ALIGHIERI

 

No início do Governo de FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, fui contratado para fazer um estudo sobre o sistema carcerário brasileiro, focando nas instalações carcerárias e sua gestão.

Um grupo de construtoras nacionais que possuíam instalações industriais de pré-moldados, voltados a construção de CIEPs (ou CIACs) escolas de tempo integral, idealizadas por DARCY RIBEIRO e executadas por LEONEL BRIZOLA, foram prejudicadas por uma medida de ITAMAR FRANCO, que paralisou o programa. Como estas construtoras tinha financiamento do BNDES, para estas estruturas, buscavam dar nova destinação às mesmas.

Sabedor do déficit de vagas no sistema carcerário, sugeri, estudo para readequação da linha de montagem, com o fito de produzir presídios pré-moldados, com alto nível de automação e segurança, em regime de parceria público-privada.

Contratado, iniciei meu trabalho, no Ministério da Justiça, no Departamento Penitenciário Nacional, entrevistando autoridades e técnicos; prossegui na CNBB, onde o presidente D. LUCIANO MENDES DE ALMEIDA, propiciou o acesso as instalações da APAC – Associação de Proteção e Assistência ao Apenado (projeto inédito de instalações carcerárias geridas e administradas pelos próprios presos); autorizado pelo Governador de SP, FLEURY, e pelo chefe do Departamento Penitenciário de SP, JUNQUEIRA, visitei unidades daquele estado; visitei unidades em SC, RGS. Junto com a empresa paulista GRUPO PIRES, que em parceria com a americana WACKENHUT, uma gigante da segurança privada americana, que administrava instalações carcerárias nos EUA, Canadá e Inglaterra, elaborou projeto para implantação desta modalidade no Brasil, me debrucei sobre o tema de privatizações das mencionadas instituições. O Brasil possuía na época 116.000 apenados. Necessitava há época mais 20.000 vagas.

Na época a radiografia do sistema carcerário já era monstruosa. A frase de Dante, retratava fidedignamente o que esperava aqueles que ingressavam no sistema. “ Deixai qualquer esperança, vós que entrais”!

O filme CARANDIRU, retrata sem sombra de dúvida a realidade das masmorras brasileiras. Posso afiançar, que não houve nenhum acréscimo ou licença artística. Hoje todo o sistema carcerário, salvo algumas instalações federais, repetem o modelo que se constitui no grande crime aos Direitos Humanos, perpetrado pelo Estado Brasileiro.

Oriundo do segmento policial, sou defensor da Lei e sua aplicação. Entendo que o Estado deve propiciar segurança aos cidadãos, excluindo do convívio social e segregando aqueles despreparados ou não adequados para tal. Porém, sei que a pena deve ter dupla finalidade: punir e ressocializar. Sei que também a desproporcionalidade da pena, para mais ou para menos, gera impunidade ou altos índices de reincidência.

A injustiça praticada pelo Estado, tem efeito deseducador. Se não pune, incentiva, se excede na punição, gera os bestas-feras que perambulam em nossas urbes e amontoam-se nos presídios.

Ao findar meu relatório, entre outras medidas sugeridas, incluí a implementação de PPPs para propiciar a construção e administração das instalações penais pela iniciativa privada, ficando a aplicabilidade da pena restrita ao Estado. Também sugeri, aumento de colônias agrícolas, com novo perfil, tanto conceitual quanto de gestão. Ainda, presídios com instalações industriais.

Na época, as sumidades que pontificavam na área de Direitos Humanos, Criminologia, etc., tacanhamente, se posicionaram contra, assim como mais tarde posicionaram contra o uso de tornezeleiras eletrônicas e ainda hoje são contra o uso de polígrafos (detectores de mentiras).

Nesta época, vivíamos o boom da automação predial no Brasil. Começou-se a utilização da cablagem estruturada.

Muitas construtoras sem nenhum know-how neste tipo de construção, associavam-se à integradoras de sistemas de segurança, basicamente vendedores de sistemas de segurança e periféricos, e através de processos licitatórios nem sempre idôneos, construíram verdadeiras aberrações.

Visitei vários tipos de unidades prisionais. Dentre elas, a considerada mais moderna e segura naquele tempo: o cadeião de Guarulhos. Unidade construída para recepcionar detentos provisórios.

Acompanhado pelo diretor, avaliei sob o prisma da Segurança Física e Operacional a Instalação. Toda a construção com concreto duplo com treliça metálica para detectar vibrações: celas e clausuras com fechamento eletromecânico com acionamento remoto pelo centro de controle; sistema de controle de câmeras; muralhas duplas com zona de exclusão para tiro; área para ronda com cães; concertinas no alto das muralhas; torres de vigilância com vidros à prova de bala e escotilhas para tiro; zona para administração, refeitório, ambulatório e visita de advogados e familiares. Nesta instituição não existia visitas íntimas, pelo conceito de provisória. Mas a realidade era outra, presos amontoavam-se e aguardando indefinidamente a soltura ou ida para outro tipo de instalação.

Questionado sobre minha impressão do que vi, desiludi meus anfitriões e acompanhantes. Para mim, o que parecia extremamente seguro, configurava-se numa grave ameaça de Segurança.

Explico: sob a exteriorização de instalações extremamente seguras, escondia-se a grave falha conceitual. Tais instalações não foram idealizadas para a reclusão de homens. Mesmo animais, sob idênticas condições de confinamento, acabariam estressados e enfermiços. Nos apenados, o desespero da falta de horizontes, o calabouço medieval travestido de modernidade, ou geraria a apatia total, o que até seria parcialmente desejável, ou o desespero detonador de rebeliões e selvagerias.

Tempos depois, esta e outras instalações similares, comprovaram o acerto de meu prognóstico.

Somente para concluir, gostaria de lembrar o conceito security by design, imprescindível para construção deste tipo de instalação. Adequar-se o design à finalidade. Levando-se em conta todas as interveniências de conteúdo psicológico de cada medida.

Mas as mazelas do Sistema Prisional brasileiro, não se restringem às instalações. Mais do que inadequação das mesmas, a gestão e o balcão de negócios ilícitos é que provocam a barbárie e o morticínio, que no meu entender é a resultante de mentes doentias que em última instância incentivam a redução da massa carcerária através de eliminação por enfermidades, uso abusivo de drogas, disputas entre facções e rebeliões. Não acredito em acaso.

Tráfico de drogas, celulares, prostituição travestida de visitas íntimas, cantinas, armas, pombos-correios do crime organizado, enfim, sempre estão ligados às máfias do sistema prisional.

Mas não para por aí: verdadeira aberração, bicheiros e meliantes de todo naipe, exploram o negócio de refeições para presídios, possuem instalações industriais dentro de presídios, fornecem toda a sorte de serviços e produtos.

Quando fiz meu trabalho, as facções do crime organizado eram incipientes. Nestes anos, por incúria, omissão ou cumplicidade das autoridades, este câncer fez metástase por todo o sistema carcerário, espraiando-se por todo território nacional e atravessando fronteira, já atua nos países limítrofes.

Ao analisarmos a Insegurança Pública do país, elencamos as seguintes matrizes :  –  Delinquência comum, fruto da exclusão social, favelização de nossas urbes, saúde e educação deficiente

–  Crime Organizado, nacional ou transnacional, dedicando-se além do tráfico de drogas, armas e seres humanos, jogos ilegais, também a segmentos econômicos, descuidados pelo Estado, com, quase sempre, a cumplicidade dos agentes do mesmo

–  Questões geopolíticas instrumentalizadas por serviços de inteligência estrangeiros

–  Legislação deficiente e Judiciário muitas vezes comprometido

–  Estrutura policial ultrapassada, eivada de facetas equivocadas, propiciando ou estimulando a corrupção das instituições

–  Corrupção generalizada em todos estamentos da sociedade brasileira

–  Estrutura Carcerária, verdadeira geratriz da criminalidade, e por conta dos altos índices de reincidência, moto contínuo da violência.

 

Cada vez que a sociedade brasileira é confrontada com altos índices de violência, quando a Segurança passa a ser uma demanda generalizada, os governos lançam PLANOS DE SEGURANÇA.

Alguns gestados em laboratório, por especialistas que nunca sentiram o cheiro de pólvora. Outros, fruto da demanda corporativista das instituições. Nunca deu certo, nem vai dar.

Enquanto não encararmos com seriedade e compromisso com o POVO, vamos enxugar gelo, e caminhando, celeremente para o caos.

Nenhum PLANO DE SEGURANÇA que deixe de promover a reformulação das Instituições de Segurança e Inteligência, desvinculando-as de governos efêmeros, e transformando-as em órgãos perenes de ESTADO, terá êxito.

Nenhum PLANO DE SEGURANÇA que deixe de enfrentar o PROBLEMA CARCERÁRIO, terá êxito.

As duas questões são primordiais e indispensáveis.

Pode ser que agora, tendo um novo perfil somando-se a outros de ingressos no sistema carcerário, haja uma preocupação com o tema. Afinal, cadeia está deixando de ser exclusivamente para pobre. Empresários, políticos, agentes públicos, executivos, também, podem vir a ser hospedes das instalações correcionais do Estado Brasileiro. Sem regalias.

Aí, se nada tiver mudado, provarão do que inspirou DANTE :

“ Deixai toda a esperança…”

 

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