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A Firma

João Carlos Berka                                                                                                     Consultor em Segurança

The Firm ( A Firma), é um filme de suspense dirigido por Sydney Pollack, baseado no livro de John Grisham, que trata de um escritório de advocacia, fachada para lavagem de dinheiro da Máfia.

A recente aprovação do Estatuto da Ordem dos Advogados, e as recentes manifestações de um grupo de advogados, a respeito da LAVA-JATO, principalmente as elucubradas pelo histriônico advogado brasiliense, Antônio Carlos de Almeida Castro, o KAKAY, levaram-me a relembrar o mencionado filme. A película americana usa com muita propriedade ao abordar o tema, o modelo mais comum dos exitosos escritórios de advocacia americanos :  contratados e estagiários digladiando-se por produtividade na busca da sonhada condição de associado.  Por trás do glamour e exteriorização de luxo e riqueza, a chaga do amancebamento com o crime organizado. Esse misto de realidade e ficção, levam à reflexões.

A LAVA-JATO, inaugurou um novo tempo no trato das questões ligadas à corrupção no país.  Tem apavorado alguns e incomodado muitos. A classe política está com as barbas de molho. A empresarial em choque. Na penumbra muita gente se articulando, conspirando e tramando para a extinção ou nulidade da mencionada operação. Gente poderosa tem usado recursos infindos e maestria para manter o status quod, responsável pelo enriquecimento de grandes grupos e pelo encilhamento da classe política. Acontece que, sempre, os planos humanos, não levam em conta o imponderável. Este pode assumir múltiplas facetas, dentre estas, a cristalização de novos conceitos de decência, lisura e seriedade no trato com a coisa pública, pela população em geral. E a crise política e econômica, desnuda a última camada da cebola : a crise moral, a eliminação da ética e a desconstrução de valores. Mesmo o mais iletrado ou analfabeto funcional, é dotado do ius naturali,  tão bem explicitados e defendidos por HOBBES, GRÓCIO, ROSSEAU, LOCKE e TOMÁS DE AQUINO. Mesmo as hordas cooptadas por planos assistencialistas tipo Bolsa Família, já começam a sentir que não dá mais… Intuem que se as coisas seguirem neste ritmo, a torneira vai secar.

KAKAY deu uma grande contribuição ao país, ao desnudar interesses ocultos e posicionamentos indefensáveis. Para ele a LAVA-JATO é um instrumento de “juízes midiáticos” sob o comando de MORO, que “ na condição de Juiz Vingador, joga o Judiciário contra a população”.  Seus clientes, anjinhos inocentes, vítimas de um aborto legal, a delação. Com esta postura, o advogado brasiliense, oportuniza uma discussão mais aprofundada sobre a classe dos operadores do Direito, indo mais além do corporativismo da OAB.

Voltando ao tema do filme, vale lembrar que inexiste crime organizado, sem o concurso de instituições financeiras, e principalmente de advogados. A bem da verdade, e salvaguardando a grande maioria de profissionais sérios, que contribuem para o exercício legal e o primado do Direito, vamos nos ater aos desviados: rábulas e consiglieri . Rábulas, os profissionais porta-de-cadeia e os pombos-correios das facções criminosas no sistema carcerário. Consiglieri, os medalhões, donos de grandes bancas, famosos e intermediadores de negociatas excusas, mormente com o poder político, mas não somente: conselheiros do crime organizado e muitas vezes elemento propiciador de lavagem de dinheiro. Se desejamos uma faxina geral, este segmento não deve ser ignorado, pelo contrário, deverá ser submetido a um minucioso trabalho de acompanhamento dos órgãos de inteligência. Nesta terra de ninguém onde vale tudo, existem, em profusão, pilantras que maculam esta nobre profissão, sendo useiros e vezeiros em artifícios há muito manjados no primeiro mundo. Adquirem times de futebol, compram restaurantes finos, visitam com assiduidade Dubai, a grande lavanderia mundial,  colecionam obras de arte, investem em haras, compram faculdades, envolvem-se com garimpos de diamantes, montam offshores em paraísos fiscais, enfim toda uma gama de atividades propiciatórias de lavagem de dinheiro.

Valeu, KAKAY!  Estás contribuindo para passar o Brasil a limpo!

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