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Democracia envergonhada?

Natal, RN, 31 de março de 2016.
General Eliéser Girão Monteiro Filho

Há exatos 52 anos o Brasil precisou do emprego de tropas armadas para impedir que um governo com viés comunista fosse implantado.

A maneira como isto foi tentado, por meio de uma ação comandada pelo próprio Presidente da República, João Goulart, surpreendeu a população, que acorreu às ruas nas grandes cidades para impedir que tal intento viesse a ser alcançado.

A ação das forças militares, compostas pelas Forças Armadas e Forças Singulares, foi definitiva para que o país superasse aquela ameaça.

O escritor Elio Gaspari, italiano, deixou um legado da história do Brasil entre 1964 e 1985, compilado numa coleção de quatro livros com os títulos: Ditadura Envergonhada, Ditadura Escancarada, Ditadura Derrotada e Ditadura Encurralada. Por considerar que há semelhanças nos fatos antecedentes, uso desses adjetivos para buscar uma comparação com os dias atuais.

Os filósofos dizem que “nós aprendemos com os erros”. Na verdade, nós deveremos aprender com as correções que fazemos dos erros que cometemos. No momento atual, parece que a história do Brasil está a repetir muitos dos erros que antecederam 1964.

Apenas a ausência do componente ideológico do comunismo e de uma guerra entre as grandes potências não existe nos dias de hoje. Entretanto, as crises política, econômica, social e principalmente de falta de ética estão se fazendo presentes mais uma vez, só que de forma mais intensa e desmoralizante.

Nos idos da década de 50 do século passado, o General Eurico Gaspar Dutra, em exercício da Presidência da República, dizia que ” a democracia era uma plantinha frágil que precisava ser regada diariamente”. Do mesmo modo, estamos num momento nacional que nos obriga a admitir essa assertiva e complementar que a ética também o é.

Alguns cidadãos, cegos por ideologia partidária ou por um projeto falido de poder, tentam justificar para uma parcela da população que os desvios e os roubos ocorreram, mas o foram por uma causa justa e em defesa da democracia.

Ora, parafraseando um poeta, podemos perguntar: “ que país é este? ” Estamos admitindo que roubar é legal? É democrático? Essa pletora de roubos, que parece não ter fim, desnudada a cada capítulo de investigações em curso pela Justiça e Ministério Público Federal, tem deixado os brasileiros envergonhados pela passividade em relação às punições demoradas ou pelas manobras evasivas que tem sido perpretadas.

O uso da palavra democracia tem sido propalado “da boca para fora” e estimulado que cidadãos acreditem que podem justificar a manutenção de mandatos somente porque foram eleitos. Ora, admitir o crime e pactuar com ele também é crime? Um mandato transforma um cidadão em isento da obediência às Leis? E o dito “foro privilegiado”, pode isentar um cidadão de ser penalizado por crimes cometidos?

Nem toda vitória é honrosa e nem todo sucesso é justo. Existem pessoas que para alcançarem o sucesso fazem qualquer coisa. Será justo admitirem perder a alma para ganhar o mundo? Onde ficam sua honradez, sua decência e sua identidade? E o interesse maior do País?

Thomas Paine, um dos ideólogos da Independência dos Estados Unidos e da Revolução Francesa, afirmou que “ o governo mesmo em seu melhor estado é um mal necessário, mas, em seu pior estado é um mal intolerável. ” Não estaríamos vivenciando algo assim no Brasil de hoje?

Depois da divulgação e aceitação de processos de corrupção, desvio de recursos públicos, obstrução da justiça e outros crimes, contra alguns dos mais influentes líderes políticos do país, já não temos mais como fechar os olhos a essa realidade.

“Entre os que destroem a Lei e os que a observam, não há neutralidade possível”, afirmava Rui Barbosa. Temos observado alguns segmentos classistas e Movimentos Sociais, embevecidos pela sanha sindicalista e populista em defesa de autoridades indiciadas em crimes, queimarem a Bandeira do Brasil. Também temos presenciado na mídia, quase que diariamente, a pregação pública da incitação à violência, até mesmo em eventos governamentais, e as autoridades constituídas presentes a esses eventos ficam em silêncio, como que compactuando com o que foi dito.

Na Bíblia, em Provérbios 29, versículo II, está escrito: “Quando os honestos governam, o povo se alegra. Mas, quando os maus dominam, o povo geme”.

Precisamos sim olhar e estudar a história com o objetivo de aprendermos e evitarmos a repetição de erros. O momento sensível exige nossa participação, nas casas, nas ruas, nas escolas, na mídia, nas comunidades, nas igrejas, enfim em todos os lugares possíveis, mostrando às autoridades que acreditamos que irão cumprir os seus papéis.

Esperamos que a Justiça possa fazer cumprir as Leis.
Tomar partido das cores da Bandeira do Brasil é um dever de cidadania. Vamos à luta por ela, com todas as nossas forças.

Nossa democracia pode estar envergonhada, escancarada, encurralada, mas nunca mais derrotada.
Brasil, acima de tudo!

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