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PETRÓLEO E CRIME ORGANIZADO II

JC Berka

 

Anos atrás, ao prestar consultoria à ANP – Agência Nacional do Petróleo,  entrevistando seu corpo funcional, fui perguntado por um Geólogo, se sabia o real papel da Agência. Intrigado, pois tinha analisado todo o documental referente a criação e funcionamento do órgão, interpelei-o pedindo esclarecimentos.

Profissional com vasto currículo e grande experiência, disse-me, sem rodeios, que o verdadeiro papel da ANP era lastrear a dívida externa brasileira. Que o país não tinha lastro em ouro para garantir empréstimos internacionais; recorrendo ao repasse de reservas petrolíferas para empresas estrangeiras em comum acordo com a entidade financeira que concedia os empréstimos. Tudo a revelia do Congresso, a quem cabe aprovar endividamento externo. Para tanto, rodadas licitatórias eram manipuladas.

Isto se deu no findar do Governo de Fernando Henrique Cardoso, quando o diretor da Agência era o embaixador Sebastião do Rego Barros. No início do governo Lula, este e outros fatos relativos à simbiose Crime X Petróleo, foram levados ao conhecimento do próprio Lula, de José Dirceu e de Luis Gushiken. Nenhuma atitude saneadora foi tomada. Pelo contrário, a Agência foi aparelhada partidariamente e o descalabro continuou. Hoje, se desejamos passar o Brasil a limpo, estes dados devem ser investigados e apurados.

Funcionários da Agência já foram acusados de montarem um balcão de negócios na mesma, gerando investigações inócuas. Dificuldades geradas para venderem facilidades; acobertamento de ilicitudes no setor, através de fiscalização cabrestada; maquiagem de dados técnicos, tais como volume de upstream e montante de reservas descobertas; autorizações para importação de volumes estratosféricos de solvente, mesmo com auto-suficiencia nacional. Vale lembrar que este insumo é preponderante para preparação da sopa que gera combustível adulterado.

Além destes fatos mencionados acima, acredito que deva ser colocado sob a lupa investigatória, empreendimentos tais como, o gasoduto Bolívia-Brasil, a permuta de ativos entre a Petrobrás e a Repsol na Argentina, a aquisição de ativos da Petrobrás na Argentina pelo grupo de CRISTOBAL LOPEZ, testa de ferro de CRISTINA KISCHNER, acusado de lavar dinheiro do narcotráfico, principalmente do Cartel de Sinaloa, do México ,  a desapropriação da refinaria da Petrobrás na Bolívia, por Evo Morales , a constituição e funcionamento da petrolífera PETRA ENERGIA, a lavagem de dinheiro do crime organizado (principalmente contrabando de cigarros) através da aquisição de postos de combustíveis no interior de São Paulo e Mato Grosso e o mistério da Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro.

Na realidade, o setor necessita de um choque de transparência. Precisamos auditar à saciedade, práticas e resultados deste importante e imprescindível segmento da Economia. Afinal, inexiste projeto de infraestrutura sem previsibilidade de energia e combustíveis.

Se desejamos planificar para as futuras gerações, necessário se faz um acerto de contas com os desvios e criminalização do setor.

Que a LAVA JATO, amplie seu escopo, ou gere operação sucedânea. A faxina iniciada tem que ter efetividade e resultados. Este é anseio nacional e uma urgência do pais que necessita ser passado a limpo.

 

JC Berka é consultor em Segurança e autor do livro

EXECUTIVOS, POLÍTICOS & BANDIDOS

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