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Arquivo mensal: setembro 2017

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FATOR Py

 JC Berka

Autor do livro Executivos Políticos Bandidos

Atendendo ao meu amigo, Brigadeiro José Carlos Pereira, faço algumas considerações sobre o tema por ele dissertado ( BRASIL E PARAGUAY – CONSIDERAÇÕES SOBRE O FUTURO PRÓXIMO).

Toda vez que a Insegurança Pública atingiu níveis intoleráveis, o Governo lançou Planos Nacionais de Segurança Pública. Hora, elucubrados em laboratórios por “especialistas” que nunca sentiram o cheiro de pólvora, hora, fruto de ação coordenada do corporativismo das entidades de Segurança.

Por isso nunca vicejaram, ou reduziram os níveis críticos da Segurança de nossas urbes. Nunca foram fruto de uma ampla discussão da sociedade e de gente que conhece o assunto com profundidade e sem comprometimento corporativista e/ou com o crime organizado.

O novo Plano, editado pelo atual governo, reedita muito dos que o antecederam. Preconiza acertadas medidas, mas, dada a realidade circundante de um estado perene de conflito, numa selvageria que provoca um morticínio somente igualado por regiões envolvidas em conflito bélico, não pode ignorar o FATOR Py.

O Fator PARAGUAY, deve merecer a devida atenção e ser dimensionado em suas reais proporções.

O Paraguay, um lindo país, com sua gente amável e acolhedora, pais hermano do Mercosul, tem que ser, em benefício de nossa Segurança Interna, visto sob uma lupa. Não somente, como origem das drogas e das armas que invadem o território brasileiro. Não somente como a ameaça sempre latente do terrorismo na Tríplice Fronteira. Nem tão pouco como o risco exponencial da invasão no exterior do famigerado PCC .

Embaixadas de diversos países, serviços secretos de todo mundo, Centro de Emergências do Departamento de Estado Norte-americano, Adidos policiais e de Inteligência, correspondentes da imprensa estrangeira, ninguém ignora o verdadeiro Paraguay e sua preocupante trajetória. E todos, ao que parece compromissados com o pacto da Omertà.

Em tempos de crise financeira mundial, o país apresenta excelentes níveis de crescimento. É visível o boom imobiliário. A frota de veículos, tanto na capital quanto no interior cresce aceleradamente. O consumo popular não somente mostra crescimento em todas as classes sociais, bem como apresenta inequívocos sintomas de elevação em termos de qualidade e sofisticação.

De onde vem este movimento da economia? Do campo, da soja e da carne?

Da recente indústria cimenteira?

Do excedente de energia produzida por Itaipú?

Resultante da implementação da Lei de Maquila, regulamentada em 2000 e incrementada a partir de 2013, incentivando a instalação de indústrias estrangeiras no país?

Não!

Parafraseando Willian Shakespeare, “ Há mais mistérios entre o céu e a terra que a vã filosofia dos homens possam imaginar!”

Mas, o mistério do Milagre Paraguaio, pode ser desvendado.

Dois autores e suas obras, decifram-nos a Esfinge Guarani:

–  Moisés Naim, com seu livro ILÍCITOS – o ataque da pirataria, da lavagem de dinheiro e do tráfico à Economia Global

– Loretta Napoleoni e sua obra, Economia Bandida : a nova realidade do capitalismo.

Inúmeros outros estudos, tanto de estudiosos acadêmicos, quanto de organismos internacionais debruçam-se sobre os segmentos da Economia, marginalizados e manipulados pelo Crime Organizado.

Relatórios de Inteligência, estudos de Segurança, via de regra, ao abordarem a componente paraguaia como uma das causas do caos da Segurança Pública brasileira, limitam-se a elencar, contrabando, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

No entanto, ao estudarmos com atenção o fenômeno do desenvolvimento de nosso vizinho, e alertados pelos dois autores acima mencionados, verificamos que a situação é muito mais complexa. Tal como no Brasil, Rússia e outros países, o Crime Organizado, ali, encontra-se entranhado em todos os segmentos da Economia, permeando todos estamentos sociais e os distintos aparelhos do Estado.

Algumas destas ocorrências, ameaçam significativamente os povos vizinhos, notadamente o Brasil.

Podemos listar suscintamente :

– Tráfico de drogas

O Paraguay é o segundo maior produtor de maconha do mundo, sendo que a quase totalidade de sua produção tem como destino o Brasil ou o utiliza como rota para outros países.

O EPP – Exército do Povo Paraguaio, com aproximadamente 30 e poucos integrantes, atuando principalmente nas florestas do Norte, é catalogado pelos serviços de inteligência estrangeiros, mais como milícia a serviço da coca boliviana, do que um movimento insurrecional.

Inúmeros laboratórios de drogas sintéticas, notadamente, metanfetamina, produzem em larga escala e juntamente com outras drogas importadas, como ecstasy, fazem parte do cardápio ofertado aos brasileiros.

Farmácias de Ciudad Del Este, destino de mochileiros brasileiros, ofertam, juntamente com energéticos duvidosos, medicamentos falsificados, muitos deles oriundos da Índia.

Pasta base de cocaína, oriunda tanto da Bolívia, quanto da Colômbia, também são, de acordo com o DEA – Drug Enforcement Agency dos EUA, processadas em território paraguaio e levadas ao Brasil.

– Tráfico de Armas

Do Paraguay saem todo tipo de armas e munições para o Brasil. De diversas origens, municiam o crime organizado em nosso país.  Junto com armas e munições, toda sorte de equipamentos de espionagem.

–  Defensivos agrícolas e fertilizantes

O contrabando destes itens para o Brasil, tem crescido assustadoramente, pois não somente causa prejuízos a nossa Economia, como alto risco, tratando-se de produtos não fiscalizados, e eventualmente prestando-se a iniciativas de bioterrorismo.

–  Receptação de cargas roubadas no Brasil. Há pouco tempo o alvo destas quadrilhas era, principalmente veículos brasileiros roubados. Hoje são cargas sob encomenda.

–  Lavagem de dinheiro

Desde o caso do Banestado que envolveu também o Banco Amambay, que diversas instituições financeiras, casas de câmbio e doleiros, estão sob monitoramento internacional. O intenso comércio entre os dois países, bem como a necessária lavagem de dinheiro do crime organizado, tem formatado uma rede subterrânea de operadores de divisas. Não somente o crime organizado tem sido usufrutuário desta rede, mas também empresas e pessoas físicas, que pretendem ludibriar o fisco de seus países. Apesar de diversos acordos internacionais e de intensa vigilância, o Paraguay ainda é um dos paraísos fiscais, com acumpliciamento de suas autoridades. Hoje, predomina o Hawala, sistema informal de transferência de fundos, amplamente utilizado, por terroristas e até um bicheiro como Carlinhos Cachoeira. Ultimamente, tanto a indústria químico-farmacêutica, como redes de drogarias tem sido utilizadas na ponta do processo de lavagem de dinheiro de tráfico de drogas, armas, e mulheres.

Mas, segundo Saint Exupéry, “o essencial é invisível aos olhos” :

  1. Corroborando o ditado de que a maior esperteza do Diabo, é fazer os homens não acreditarem em sua existência, muitos apregoam a inexistência de membros do Hamas e do Hezbollah em meio a grande comunidade árabe na região da Tríplice Fronteira.

Mentira.

Muito antes dos atentados na Argentina à Embaixada de Israel e à sede da AMIA, que já era do conhecimento dos serviços secretos americanos e israelenses a existência de membros destas duas organizações na região. A partir dos eventos terroristas na Argentina, foi detectada também a presença de elementos do serviço secreto do Irã.

Óbvio que não existem campos de treinamento, sedes oficiais, mas muitos elementos destas organizações, quando acuados pela caça internacional ao terrorismo, homiziam-se no Paraguay. Com, ou sem consentimento das autoridades.

  1. Durante muitos anos, o Paraguay, constituia-se numa das poucas alternativas de reconhecimento diplomático para Taiwan. Junto, importante entreposto comercial para a indústria do país asiático. Junto também, a indústria da falsificação, desovada, principalmente, para o Brasil, através do contrabando formiguinha da Ponte da Amizade, e das megaoperações via lago de Itaipu.

Com o reconhecimento da China Continental, não cessou o relacionamento com Taiwan, porém novo protagonismo na área: a imigração chinesa e investimentos maciços chineses. Nem sempre de maneira legal. Tendo em vista as características da Economia Bandida, esta atividade, revestida em sua grande parte de informalidade e ilegalidade, trouxe, junto, o crime organizado dos países de origem: as Tríades Chinesas e Coreanas. Sendo que estas operam em sintonia fina entre Ciudad Del Este e a Cidade de São Paulo/SP.

  1. Com o desmantelamento militar das FARCs, na Colômbia, e a subsequente transformação da organização em agremiação política, parte de seus efetivos, rumaram para novos destinos dedicados à atividades ilícitas, principalmente subversão e tráfico de drogas. Se alguns membros adentraram a Amazônia Venezuelana e Brasileira, outros foram para o Paraguay.
  2. A visível falência do Bolivarianismo, tem suscitado, não somente o caos econômico e social nos países envolvidos nesta aventura ideológica, notadamente a Venezuela, mas também o desvio de divisas por parte dos mandatários que se sentem ameaçados a curto prazo. Daí, recursos levados clandestinamente ao exterior. Inclusive para o Paraguay.
  3. A Operação LAVA JATO, no Brasil, executando uma faxina geral, tem ocasionado um corre-corre em meio a empresários e políticos, intentando esconder seus malfeitos, desviando recursos, transferindo bens e fugindo à fiscalização tributária. Daí, muitos, sob a capa de utilização da Lei Maquila, se instalarem, precariamente em território paraguaio. Em breve, as investigações brasileiras comprovarão esta assertiva, e seguramente, o governo paraguaio terá problemas.
  4. Recentemente o Presidente paraguaio, Horácio Cartes, visitou o Brasil. Conforme a pauta oficial do encontro, entre os assuntos, um acordo para combate ao crime organizado na fronteira dos dois países. Segundo informações não confirmadas, Cartes, ofereceu em troca, apoio a iniciativa de privatização a Usina de Itaipú. Horácio Carte imita os governantes brasileiros, que antes de eleitos, prometem combate renhido ao crime organizado. No poder vivem em amancebamento com o mesmo. Vide governos FHC, Lula, Dilma e Temer.Horácio Cartes é uma das maiores fortunas do Paraguay. Um dos maiores fabricante de cigarros do mundo. Ano passado, uma operação conjunta da Polícia Civil e Ministério Público de São Paulo, desbaratou quadrilha de contrabando de cigarro que lavava o dinheiro, adquirindo postos de combustíveis. Cigarros do Paraguay.

Dia 17 de dezembro ocorrerão prévias eleitorais dos partidos do Paraguay, para escolha de seus candidatos à Presidência da República, em eleição que acontecerá em abril do ano vindouro.

O partido com reais condições de ganhar o pleito é o Colorado.  Que por sua vez, marcha para as prévias com dois candidatos. O candidato de Cartes, situação, é Santiago Peña, ex-ministro da Fazenda e ex-diretor do Banco Central.

O dissidente, MARITO, Mário Abno Benitez, da facção Colorado Añetete, senador e formado em Marketing nos Estados Unidos, é o franco favorito até a presente data.

Marito, incluiu em sua plataforma de governo, o combate ao crime organizado. Apesar de todos candidatos seguirem the book, incluindo isto em sua fala, inexistem indícios de comprometimento dele com o submundo paraguaio. Não obstante, deva se acautelar com os apoios e alianças contaminados por origens obscuras. Ninguém ignora, que quem dispõe de liquidez financeira e meios de camuflagem de origem de recursos para o apoio político é o crime organizado. Não somente no Paraguay, como em todo o mundo. Marito tem que ficar esperto. Pois, depois de Cartes, a expectativa é de mudança de rumos no país vizinho, que gere, com outras condicionantes, paz em território brasileiro. Torço para isto aconteça, senão, em futuro próximo, em termos de instabilidade e risco geopolítico, o Paraguay, na América do Sul, será a “bola da vez”!

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BRASIL E PARAGUAY CONSIDERAÇÕES SOBRE O FUTURO PRÓXIMO

JOSÉ CARLOS PEREIRA
* Tenente-brigadeiro da Aeronáutica Brasileira e Ex- Presidente da INFRAERO.

Brasil e Paraguay são países vizinhos, amigos e membros do Mercosul.  Em breve, teremos eleições presidenciais no Paraguay, e, em 2018, no Brasil.  Ao contrário do Brasil, que atravessou a maior crise econômica de sua história e só agora apresenta sinais claros de lenta recuperação, nosso vizinho apresenta extraordinária vitalidade em sua economia – entre 2010 e 2013 teve expansão do PIB entre 13% e 14%.

Apesar de crises políticas internas e complexas negociações sobre o Acordo de Itaipu, o Paraguay conseguiu atrair investimentos de várias naturezas, ocupando, entre outras posições, a de 6º exportador mundial de soja e milho e 8º de carne bovina, além de forte presença nas áreas de algodão, óleos comestíveis e eletricidade, sobretudo para o Brasil e decorrente do Acordo de Itaipu. Na área industrial, destaca-se na produção de cimento, tecidos e produtos em madeira e aço. A Zona de Livre Comércio de Ciudad Del Este é uma das maiores e mais movimentadas do planeta.  No entanto, mesmo com excelente desempenho econômico, o Paraguay sofre, como o Brasil, de profunda e cruel desigualdade social,  com grande parte de sua população em estado de pobreza além de sensível percentual na pobreza extrema.

Um fator altamente preocupante no Paraguay é o desenvolvimento crescente de operações criminosas ligadas à produção e tráfico de drogas, tanto de origem  local como advinda de outros países, especialmente da Bolívia.  O fluxo natural do tráfico destina-se ao Brasil, não apenas como consumidor, mas, sobretudo, como passagem para distribuição na Europa e América do Norte.  Na região Norte do país instalou-se uma organização guerrilheira – Exército do Povo Paraguaio (EPP) – que se apresenta com objetivos políticos, mas, de fato, atua como facilitador de operações de tráfico oriundo da Bolívia e fonte de financiamento para suas operações.  É de suma importância a percepção da fortíssima presença de organizações criminosas brasileiras na extensa atividade do referido tráfico internacional de drogas. Deve-se acrescentar que, além de drogas, o sistema constitui o principal componente para contrabando de armas e munições destinadas a toda sorte de atividade criminosa. Particularmente no Brasil, tal fluxo de armas já constitui motivo de preocupação ao nível da segurança nacional e suas instituições.

No Brasil, vivemos brutal crise econômica recessiva, oriunda de erros crassos de gestão, ao lado de crise política sem precedentes.  No momento, há evidências de alguma perda de influência da política na economia, com claros sinais de recuperação econômica, apesar de profundas incertezas no campo político.  Houve claro retrocesso nos avanços sociais com crescimento do desemprego e redução de renda; aguarda-se para breve  a retomada dos programas corretivos de natureza social, na medida em que a economia recupera volume e confiança nos investimentos.

Avaliação sensata e isenta de preconceitos de qualquer natureza mostra que Paraguay e Brasil apresentam, no momento, excelente oportunidade para, tanto no âmbito do Mercosul como bilateralmente, planejarem e executarem ações incisivas em prol das duas nações e seus povos. Tais ações passam compulsoriamente por aumento de confiança e facilidades operacionais para agentes financeiros tanto nacionais como estrangeiros e seus mais diversos tipos de investimento. A interdependência entre Brasil e Paraguay é de grande extensão e vai de energia elétrica a logística de transporte. Existe enorme área de cooperação a ser explorada nos setores  de saúde pública, educação, tecnologia, turismo e produção industrial.  Atenção muito especial deve ser aplicada na área de segurança pública, particularmente nas operações do crime organizado internacional,  capaz de incapacitar a produção, afastar investidores, gerar represálias internacionais e promover insegurança generalizada. Parece óbvia a necessidade de ampla coordenação e cooperação entre as forças de segurança dos dois países, particularmente na área de Inteligência, para que se estabeleça uma segurança aceitável para nossas populações. Esse é um tema para nosso amigo João Berka, especialista em segurança e na sua manutenção.

Que se cumpra a lei, doa a quem doer!

      

Caros amigos

É revoltante assistir às reações de políticos face à situação caótica em que se encontra o País. Em um círculo vicioso de acusações, eles se manifestam como se a responsabilidade pelo desastre fosse de todo o mundo menos de cada um deles, quando, na verdade, entre incompetência, cafajestagem, rapinagem e ignorância, poucos são os “otários” que por compromisso com a ética e com a honestidade preservaram as suas reputações e não se envolveram no assédio ao erário.

No meio do povo, a grande vítima, há também responsáveis, porquanto um percentual ainda significativo de pessoas – por absoluta ignorância e apesar dos pesares – insiste em dar crédito à mentiras e em viver de ilusões.

Identificamos no Congresso algumas grandes quadrilhas,  como o PT, o PMDB e o PSDB, um lote de alcateias e alguns lobos solitários, todos, junto com a Suprema Corte, alvoroçados e acuados pela revolta do povo esclarecido, por malas de dinheiro, gravações, delações, vídeos e evidências investigadas e processadas pela polícia, pelo Ministério Público e pela Justiça de Curitiba, de Porto Alegre e de alhures.

É inútil querer tapar o Sol com a peneira e fingir acreditar que o gesticulante e verborrágico Michel Temer – há anos no meio dessa balbúrdia criminosa, cercado por “amigos de confiança” que precisam até de apartamentos para guardar a quantidade de dinheiro que roubaram – possa, nessas condições, ser uma ilustre, pura, ingênua e inocente vítima da má vontade do Procurador Geral, por mais venal e comprometido que este seja!

Nunca gritei “Fora Temer”, mas, tanto quanto Lula da Silva, Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima e outros, ele não é inocente e não há como não ser investigado, processado, julgado e punido! Pode haver um porquê ou uma discutível justificativa para protelar essas ações, mas não há qualquer razão para que não encaremos de frente esta realidade e a fatalidade de termos essa funesta cadeia sucessória na Presidência da República!

Levaremos mais do que uma geração para corrigir o mal que nos foi causado por esses bandidos e não há qualquer razão que justifique tergiversar ou aceitar remendos na busca da correção, mesmo que isso signifique protelar o início da recuperação. Chega de meias-solas, precisamos de um Brasil novo e não de mais do mesmo!

Que se cumpra a lei, doa a quem doer!

Gen Bda Paulo Chagas