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BRASIL E PARAGUAY CONSIDERAÇÕES SOBRE O FUTURO PRÓXIMO

JOSÉ CARLOS PEREIRA
* Tenente-brigadeiro da Aeronáutica Brasileira e Ex- Presidente da INFRAERO.

 

Brasil e Paraguay são países vizinhos, amigos e membros do Mercosul.  Em breve, teremos eleições presidenciais no Paraguay, e, em 2018, no Brasil.  Ao contrário do Brasil, que atravessou a maior crise econômica de sua história e só agora apresenta sinais claros de lenta recuperação, nosso vizinho apresenta extraordinária vitalidade em sua economia – entre 2010 e 2013 teve expansão do PIB entre 13% e 14%.

Apesar de crises políticas internas e complexas negociações sobre o Acordo de Itaipu, o Paraguay conseguiu atrair investimentos de várias naturezas, ocupando, entre outras posições, a de 6º exportador mundial de soja e milho e 8º de carne bovina, além de forte presença nas áreas de algodão, óleos comestíveis e eletricidade, sobretudo para o Brasil e decorrente do Acordo de Itaipu. Na área industrial, destaca-se na produção de cimento, tecidos e produtos em madeira e aço. A Zona de Livre Comércio de Ciudad Del Este é uma das maiores e mais movimentadas do planeta.  No entanto, mesmo com excelente desempenho econômico, o Paraguay sofre, como o Brasil, de profunda e cruel desigualdade social,  com grande parte de sua população em estado de pobreza além de sensível percentual na pobreza extrema.

Um fator altamente preocupante no Paraguay é o desenvolvimento crescente de operações criminosas ligadas à produção e tráfico de drogas, tanto de origem  local como advinda de outros países, especialmente da Bolívia.  O fluxo natural do tráfico destina-se ao Brasil, não apenas como consumidor, mas, sobretudo, como passagem para distribuição na Europa e América do Norte.  Na região Norte do país instalou-se uma organização guerrilheira – Exército do Povo Paraguaio (EPP) – que se apresenta com objetivos políticos, mas, de fato, atua como facilitador de operações de tráfico oriundo da Bolívia e fonte de financiamento para suas operações.  É de suma importância a percepção da fortíssima presença de organizações criminosas brasileiras na extensa atividade do referido tráfico internacional de drogas. Deve-se acrescentar que, além de drogas, o sistema constitui o principal componente para contrabando de armas e munições destinadas a toda sorte de atividade criminosa. Particularmente no Brasil, tal fluxo de armas já constitui motivo de preocupação ao nível da segurança nacional e suas instituições.

No Brasil, vivemos brutal crise econômica recessiva, oriunda de erros crassos de gestão, ao lado de crise política sem precedentes.  No momento, há evidências de alguma perda de influência da política na economia, com claros sinais de recuperação econômica, apesar de profundas incertezas no campo político.  Houve claro retrocesso nos avanços sociais com crescimento do desemprego e redução de renda; aguarda-se para breve  a retomada dos programas corretivos de natureza social, na medida em que a economia recupera volume e confiança nos investimentos.

Avaliação sensata e isenta de preconceitos de qualquer natureza mostra que Paraguay e Brasil apresentam, no momento, excelente oportunidade para, tanto no âmbito do Mercosul como bilateralmente, planejarem e executarem ações incisivas em prol das duas nações e seus povos. Tais ações passam compulsoriamente por aumento de confiança e facilidades operacionais para agentes financeiros tanto nacionais como estrangeiros e seus mais diversos tipos de investimento. A interdependência entre Brasil e Paraguay é de grande extensão e vai de energia elétrica a logística de transporte. Existe enorme área de cooperação a ser explorada nos setores  de saúde pública, educação, tecnologia, turismo e produção industrial.  Atenção muito especial deve ser aplicada na área de segurança pública, particularmente nas operações do crime organizado internacional,  capaz de incapacitar a produção, afastar investidores, gerar represálias internacionais e promover insegurança generalizada. Parece óbvia a necessidade de ampla coordenação e cooperação entre as forças de segurança dos dois países, particularmente na área de Inteligência, para que se estabeleça uma segurança aceitável para nossas populações. Esse é um tema para nosso amigo João Berka, especialista em segurança e na sua manutenção.

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