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ÉRIKA MIALIK MARENA Coragem em meio ao Império da Covardia

JC Berka

Apesar de não ter procuração para defender a Delegada de Polícia Federal, Érika Marena, mesmo porque a mencionada não necessita de defesa, sinto-me compelido a tecer algumas considerações sobre ela e sua atuação profissional, tendo em vista os ataques que a mesma vem sofrendo da parte de bocas-de-aluguel de uma imprensa contaminada e por valentes que somente mostram bravura em blogs .

Faço também, por ter certeza de que o ataque sistemático destas hienas, visa, em última análise, detonar com a Operação Lava, obstruindo a ação moralizadora e saneadora do Estado Brasileiro e do meio empresarial.  Quem defende esta corja que arrebentou com nosso país, não é vítima : é cúmplice!

É óbvio que tendo levado às grades do cárcere, figuras proeminentes da política e do mundo empresarial, inaugurando nova performance no combate ao White collar crime, juízes, promotores e policiais sofreriam retaliação, que seria pautada pela capacidade financeira dos envolvidos, bem como, pela total falta de escrúpulos os cooptados para fazerem o trabalho sujo. Gente que parece ter sido concebida num bordel ou filhote de chocadeira, tamanho desprezo por valores da cidadania, da Moral e da Ética.  Arremedos de jornalistas e pseudo-intelectuais, se prestam a defenderem gente como Lula, Cunha, Aécio, Dilma, Temer, Gim Argello, Cabral, Eunício Oliveira, Renan, e outros tantos.  Por migalhas, tornam-se coadjuvantes de advogados pagos a peso de ouro, num projeto conjunto de perpetuar o status quod, criminalizando o Estado e corrompendo todo um povo.

Porém o que me estimulou a me posicionar foram os ataques à delegada, buscando responsabilizá-la pela morte do reitor da UFSC, Luiz Carlos Cancellier.

Quero aqui, abrir um parênteses: como florianopolitano, cursei Direito na UFSC. Tenho amigos professores na referida universidade, me relaciono com políticos catarinenses e considero-me, razoavelmente, informado das coisas da terra. Todos meus contatos dão-me conta de que o finado reitor era uma pessoa afável, do Bem e comprometido com a Universidade.  Infelizmente, acometido por uma enfermidade insidiosa, a depressão, cometeu o tresloucado ato, tirando a própria vida.  Não podemos julgá-lo, afinal cada qual lida com a própria sensibilidade. Cancellier, pode ter sido vítima de uma série de fatores que levaram as instituições de ensino público no Brasil a processo falimentar, bem como de outros fatores que deveriam ser melhor investigados.

Se os fatos que estão ocorrendo no Brasil, nos últimos tempos, acontecessem no Japão, teríamos uma epidemia de Seppuku, o famoso haraquiri. Naquele país, a honra é levada a sério. Acusados de corrupção ou fraudes, políticos e empresários se suicidam. Não é o caso brasileiro, onde a sensibilidade anestesiada pela prática comum de descalabros, gerou uma sociedade cínica e permissiva.

A respeito da Operação Ouvidos Moucos, pude levantar o seguinte:

  1. As verbas do ensino à Distância no programa Universidade Aberta do Brasil, da CAPES, eram geridas com completo descontrole; professores que dominavam esse nicho de poder na UFSC usavam o dinheiro como bem queriam, davam bolsas a quem não deveria tê-las (enquanto que professores que davam aulas, efetivamente, ficavam sem receber, sob o argumento de que a CAPES estava em mora no envio dos valores), direcionavam contratações de serviços para certas empresas ( as quebras de sigilo bancário vão mostrar se estavam recebendo contrapartida), fraudavam documentos, tudo em conluio com elementos das fundações de apoio, que recebiam a parte do dinheiro do custeio do EaD para gerir;
  2. Esse controle precário da CAPES permitiu que organizações criminosas voltadas ao peculato e outras fraudes se estabelecessem na UFSC e em outras instituições federais de ensino pelo país;
  3. O reitor acabou envolvido na investigação no momento em que aparece fazendo manobras para evitar que o grupo que controlava as verbas do EaD fosse alterado. Ocorre que ele vinha sendo cobrado por professores indignados que lhe exigiam seu posicionamento, além da própria investigação preliminar e sigilosa que a corregedoria da UFSC abriu. E o que ele fez foi tentar dissimular uma troca no comando da gestão geral do EaD, e ao mesmo tempo, fazer movimentos para afastar da coordenação do EaD do curso de Administração, a professora que havia descoberto grande parte dos problemas e que persistia nas denúncias. Além disso, ele vai até a CAPES, a qual, mesmo já sabendo das fraudes em apuração, libera mais dinheiro para o programa, e tira seu site de transparência do ar (impedindo por meses a consulta aos bolsistas do programa). Além disso, sem saber como o corregedor vinha progredindo na investigação, o reitor acaba tentando avocar o processo, intima o corregedor para entregar os autos, e não consegue ser bem sucedido, pois a CGU dá uma resposta enfática sobre a ilegalidade do ato. Assim sendo, ele não estava envolvido diretamente na gestão da verba apurada, mas lutou para manter aquele núcleo de poder que compunha seu grupo de sustentação na Universidade, tendo suas manobras ao longo dos últimos meses, convencido à autoridade policial e Ministério Público da necessidade das medidas pedidas ao poder Judiciário;
  4. Todas as medidas cautelares pedidas tiveram a concordância integral do MPF e da JF, e alguns dias depois da deflagração da Operação, o próprio TCU afastou dos cargos todos os investigados;
  5. Muitas matérias alegam que uma juíza plantonista soltou no dia seguinte, os presos, como se não houvesse motivo para a prisão. Contudo, esquecem de dizer que a juíza do caso estudou por dois meses todas as provas, depois que a colega dela soltou todos menos de 24 hs depois, ela deu na semana seguinte uma entrevista incisiva, dizendo que a juíza plantonista errou, e que nunca tinha visto isso ocorrer no judiciário;
  6. Muitas matérias alegam que a investigação é fraca ou não tem provas. Ora a operação é uma FASE da investigação, e os elementos apurados até então traziam e trazem indícios de conduta criminosa ocorrendo na UFSC, e por isso foram pedidas as medidas cautelares. O que alguns confundem, de propósito ou não, é a prisão cautelar com prisão decorrente de uma condenação. As prisões deferidas foram cautelares, para cessar a conduta e garantir a eficácia na continuidade da investigação. Futuramente, em ação penal, será apurada, diante do contraditório, a atuação de cada qual que for denunciado, e aqueles condenados estarão sujeitos a nova prisão, mas aí com juízo condenatório. Só aí a imprensa poderá dizer que havia provas suficientes ou não. Enquanto a investigação está em andamento, falar que não havia provas suficientes é misturar conceitos, para confundir as pessoas e tentar jogar suspeita na apuração;
  7. Outra situação que vem motivando a maioria dos ataques, é o fato de haver uma verdadeira indústria de liberação de dinheiro público para projetos de extensão remunerados em universidades federais. São bilhões somados, geridos por professores com acesso político junto a ministérios e estatais, e que são entregues nas mãos de fundações de apoio, que promovem contratações sem controle, direcionadas, além de diversos casos de desvios. O EaD da UFSC era um projeto de extensão e os professores investigados gerem, geriram ou receberam dinheiro de outros projetos de extensão que captaram valores junto à Petrobrás, DNIT, e Ministério da Saúde, por exemplo. Tudo merece ser investigado e as investigações estão direcionadas também nesta direção;
  8. A representação da família do reitor alega que o fato de ter havido uma entrevista coletiva no dia da operação policial, de a PF ter divulgado a operação nas redes sociais e o reitor ter sido levado para a penitenciária, tudo afetou seu emocional e o levou a decidir pelo suicídio. Ocorre que todas estas medidas são medidas padrão em todas as operações da PF, o que nunca foi questionado por imprensa, OAB. Em cumprimento às normas e procedimentos, o reitor, levado à penitenciária, foi direcionado para área de detidos com curso superior. Quanto ao uso do uniforme, faz parte do processo carcerário, e caso contrário se configuraria o indesejado uso de privilégio, tanto criticado pela população e mídia.
  9. Não existe a possibilidade da autoridade policial solicitar exame psiquiátrico, prévio, de investigados. A infeliz ocorrência de suicídios nestes casos não é novidade. Porém, como tratava-se de alguém com destaque na sociedade, aproveitando-se da desgraça alheia e do infortúnio da família, abutres sem escrúpulos instrumentalizam a tragédia com inconfessáveis objetivos: comprometer a imagem da autoridade policial e ligar o nome de Erika Marena à LAVA JATO.

 

Concluindo, as universidades federais brasileiras estão sucateadas. Não existem verbas para modernização, pagamento de professores, pesquisa e incentivo verdadeiro e lícito à cultura. No entanto valores astronômicos são desviados por estas figuras nefastas que pululam no meio universitário, que aparelham ideologicamente as instituições, manipulam o ensino, pregam a destruição de valores da democracia, da família e não contentes, roubam.

Quanto a vitimização destes atores de ópera bufa e tragicômica, não foram originais, seu líder e modelo, LULA, já acusou que sua esposa Mariza Letícia, morreu de desgosto pela “perseguição” da LAVA JATO.  O Garanhão de Garanhuns, mistifica, num exercício de cinismo e canalhice, já que é de domínio público que o que enfermou sua finada esposa, foram  seus inúmeros casos amorosos e o desmonte de sua imagem pública, com a constatação de sua atuação corrupta e criminosa no exercício da presidência.

Quanto à Delegada Érika Mialik Marena, num cenário de tanta covardia, de tanta omissão, tanto dos agentes da Lei, como do cidadão comum, ela destacou-se por sua indômita coragem e compromisso,  com o exercício da Lei no combate a esta chaga nacional, a corrupção.  Juntamente com outros delegados, iniciaram a operação que constitui-se na única esperança saneadora do país, antes que experimentemos uma intervenção militar. Pela primeira vez, poderosos e ricos meliantes sentiram o peso da Justiça. Pela primeira vez, começamos a acreditar nas instituições, apesar de muitos retrocessos.

Porém, se esta corja de detratores daqueles que almejam um país sério e honesto, conseguirem seu intento do refluxo da LAVA JATO, vamos experimentar o inferno. Um cenário dantesco de distúrbios civis, de recrudescimento da criminalidade, de guerra civil!

Este caso da Operação Ouvidos Moucos, é emblemático. Ao mesmo tempo que assistimos a derrocada do ensino público no país, temos o crescimento exponencial da maior estrutura e instituição de ensino privado do mundo, o consórcio KROTON/ANHANGUERA. Nada é por acaso.

Com tanta “gente boa” na cadeia, outros a caminho, com a covardia da grande maioria omissa e/ou acumpliciada, encastelada nas estruturas do Poder Público, usufrutária de benesses do Poder, nada melhor do que um cadáver para tentarem dar uma trava nas investigações . Não conseguirão!

Érika e seus colegas, vocacionados e dedicados à difícil tarefa de combater o Mal, certamente não integram aquela parcela de sua instituição que recepciona e bajula investigados famosos em cerimônias no Espaço da Corte, em Brasília. Ela e colegas integram a banda sadia da corporação.

Devem ser aplaudidos, seguidos e protegidos.

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