Cincinato | Brasil
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Combate a CRIMINALIDADE

O Combate à Ponta do Iceberg da Criminalidade

O vulto assumido pelo crime organizado permite classificá-lo como ameaça à lei, à ordem e à própria sober

ania nacional, pois o Estado perdeu a autoridade em áreas, ainda que restritas, de algumas metrópoles no País. No Rio de Janeiro, existem complexos de favelas controlados por facções criminosas, que impõem a sua “lei”, constituindo um estado paralelo ao Estado nacional no exercício da violência.

O emprego das Forças Armadas (FA) na segurança pública, num quadro de garantia da lei e da ordem, tem sido contumaz. No entanto, é apenas paliativo com efeito superficial e de curta duração, haja vista o retorno aos níveis de violência e o controle da bandidagem tão logo as tropas são retiradas das áreas conturbadas. As FA não são preparadas nem estruturadas para a segurança pública, em que os conflitos devem obedecer a leis e regras rígidas, que limitam a liberdade de ação para o emprego da violência com a mesma letalidade exigida em conflitos armados na defesa da Pátria contra um inimigo externo.

As fronteiras nacionais são um dos pontos críticos na gestão da segurança pública, pois a extensão, a permeabilidade e a porosidade dificultam, drasticamente, seu controle efetivo e o bloqueio de ilícitos transnacionais. Tal dificuldade foi agravada pelos acordos de livre comércio e pela globalização, que facilitaram a passagem e ampliaram a circulação de cargas pelas vias terrestres, marítimas e aéreas. Se os EUA não conseguem evitar o maciço tráfico de drogas e a realização de outros ilícitos nos 3 mil km de sua fronteira terrestre com o México, contando com seus imensos recursos para esse controle, o que dizer do Brasil. São 17 mil km de fronteiras terrestres, sendo 11 mil km em selva, com centenas de entradas possíveis, e 6 mil km em área humanizada, com enorme fluxo de comércio.

As fronteiras marítimas têm 7,5 mil km com dezenas de portos que movimentam milhares de contêineres por dia, cuja fiscalização é extremamente difícil. O mesmo pode-se dizer da volumosa entrada de cargas por inúmeros aeroportos oficiais. Cumpre destacar que, na fronteira aeroespacial, aeronaves do tráfico de drogas e armas entram no espaço aéreo, voam por dez minutos, aterrissam em algum campo de pouso clandestino ou lançam sua carga e regressam, não dando tempo ao controle aéreo para reagir. Portanto, é um engano acreditar ser possível um controle tão efetivo das fronteiras a ponto de considerá-lo a ação principal contra a criminalidade.

No Brasil, esse combate tem visado mais às consequências do que às causas da ascensão do poder da criminalidade, que se aproveita de gravíssimas vulnerabilidades nos campos político, social, jurídico, policial e penal. Algumas importantes vulnerabilidades estão listadas no quadro a seguir.

As organizações criminosas (OC) de nível nacional (OCN) são o Primeiro Comando da Capital (PCC), presente em todos os Estados da Federação, e o Comando Vermelho (CV), com ampla disseminação no território nacional. Essas facções disputam entre si o poder em vários Estados e neles convivem ou atritam com outras organizações criminosas de expressão local ou regional (OCR). As ações das OCN e OCR, quando necessário, envolvem crimes violentos, de âmbito nacional ou transnacional, como os relacionados com tráfico de drogas, contrabando de armas, tráfico de pessoas, sequestros e outros; lavagem de dinheiro, que inclui a gestão de negócios com fachada de legalidade; infiltração em diversos segmentos da sociedade, inclusive na justiça, na política e nos órgãos de segurança pública (OSP); corrupção; cooptação; chantagem; intimidação; controle violento de comunidades e de várias atividades lucrativas como as de transporte.

Existem OC do tipo “máfia”, voltadas para os crimes financeiros e sem violência, envolvendo lideranças de altos escalões, partidos políticos e empresários. O mensalão e o petrolão são exemplos do funcionamento dessas OC, cuja repressão deve seguir o modelo da Operação Lava Jato.

O combate específico às OCN e OCR violentas, ponta de um profundo iceberg, é apenas parte da solução do problema, que exige, simultaneamente, ações estratégicas de longo prazo sobre as vulnerabilidades listadas no quadro anterior. Tais vulnerabilidades, como se pode deduzir, estão em diversos setores da Nação, além do que é relativo, especificamente, à segurança pública. Esse combate requer centralização, coordenação e integração, desde os mais altos escalões, em um Projeto Estratégico de longo prazo, com visão da situação desejada no futuro e os objetivos e as metas sucessivas.

A seguir, são sugeridas algumas medidas de combate às OCN e OCR, que não esgotam o rol das necessárias:
– endurecer a lei sobre Organização Criminosa, tornando a justiça ágil e mais rigorosa;
– emprego de forças-tarefa de composição mista (Jurídico, Inteligência e Operações) por Estados ou Regiões, com foco nas OCN e OCR, e não na bandidagem isolada; utilização da prisão preventiva aos enquadrados na lei e fim do foro especial;
– líderes e membros de maior periculosidade recolhidos em presídios especiais de segurança máxima, separados entre si e executando trabalhos rigorosos;
– controle rigoroso das visitas, inclusive de advogados, e das ligações entre esses presos e o exterior das cadeias, impedindo efetivamente o uso de meios eletrônicos;
– os alvos seriam as lideranças, as estruturas de gestão das OC e o seu braço armado; e
– as ações de inteligência buscariam identificar e localizar as lideranças e os apoios logístico, financeiro e político, enquanto as operações decorrentes seriam realizadas por forças-tarefa dos OSP e dos grupos especiais das Forças Armadas, quando necessário, ou pelo emprego de tropa em operações de grande envergadura.

A situação é gravíssima e sua deterioração poderá resultar num quadro semelhante ao de guerra civil, em que a perda da autoridade e da soberania interna pelo Estado traria, como consequência, grande risco para a unidade nacional. A Nação tem que ser conscientizada de que o combate à criminalidade será de longo prazo e implicará o emprego da violência com efeitos colaterais e, eventualmente, com restrições à liberdade individual.

Em curto prazo, poderá ser uma questão de vida ou de morte para o Brasil!

Publicação autorizada pelo Centro de Com.Social do Exército Brasileiro – O Artigo tem como autor  Gen Bda Luiz Eduardo Rocha Paiva

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FATOR Py

 JC Berka

Autor do livro Executivos Políticos Bandidos

 

Atendendo ao meu amigo, Brigadeiro José Carlos Pereira, faço algumas considerações sobre o tema por ele dissertado ( BRASIL E PARAGUAY – CONSIDERAÇÕES SOBRE O FUTURO PRÓXIMO).

Toda vez que a Insegurança Pública atingiu níveis intoleráveis, o Governo lançou Planos Nacionais de Segurança Pública. Hora, elucubrados em laboratórios por “especialistas” que nunca sentiram o cheiro de pólvora, hora, fruto de ação coordenada do corporativismo das entidades de Segurança.

Por isso nunca vicejaram, ou reduziram os níveis críticos da Segurança de nossas urbes. Nunca foram fruto de uma ampla discussão da sociedade e de gente que conhece o assunto com profundidade e sem comprometimento corporativista e/ou com o crime organizado.

O novo Plano, editado pelo atual governo, reedita muito dos que o antecederam. Preconiza acertadas medidas, mas, dada a realidade circundante de um estado perene de conflito, numa selvageria que provoca um morticínio somente igualado por regiões envolvidas em conflito bélico, não pode ignorar o FATOR Py.

O Fator PARAGUAY, deve merecer a devida atenção e ser dimensionado em suas reais proporções.

O Paraguay, um lindo país, com sua gente amável e acolhedora, pais hermano do Mercosul, tem que ser, em benefício de nossa Segurança Interna, visto sob uma lupa. Não somente, como origem das drogas e das armas que invadem o território brasileiro. Não somente como a ameaça sempre latente do terrorismo na Tríplice Fronteira. Nem tão pouco como o risco exponencial da invasão no exterior do famigerado PCC .

Embaixadas de diversos países, serviços secretos de todo mundo, Centro de Emergências do Departamento de Estado Norte-americano, Adidos policiais e de Inteligência, correspondentes da imprensa estrangeira, ninguém ignora o verdadeiro Paraguay e sua preocupante trajetória. E todos, ao que parece compromissados com o pacto da Omertà.

Em tempos de crise financeira mundial, o país apresenta excelentes níveis de crescimento. É visível o boom imobiliário. A frota de veículos, tanto na capital quanto no interior cresce aceleradamente. O consumo popular não somente mostra crescimento em todas as classes sociais, bem como apresenta inequívocos sintomas de elevação em termos de qualidade e sofisticação.

De onde vem este movimento da economia? Do campo, da soja e da carne?

Da recente indústria cimenteira?

Do excedente de energia produzida por Itaipú?

Resultante da implementação da Lei de Maquila, regulamentada em 2000 e incrementada a partir de 2013, incentivando a instalação de indústrias estrangeiras no país?

Não!

Parafraseando Willian Shakespeare, “ Há mais mistérios entre o céu e a terra que a vã filosofia dos homens possam imaginar!”

Mas, o mistério do Milagre Paraguaio, pode ser desvendado.

Dois autores e suas obras, decifram-nos a Esfinge Guarani:

–  Moisés Naim, com seu livro ILÍCITOS – o ataque da pirataria, da lavagem de dinheiro e do tráfico à Economia Global

– Loretta Napoleoni e sua obra, Economia Bandida : a nova realidade do capitalismo.

Inúmeros outros estudos, tanto de estudiosos acadêmicos, quanto de organismos internacionais debruçam-se sobre os segmentos da Economia, marginalizados e manipulados pelo Crime Organizado.

Relatórios de Inteligência, estudos de Segurança, via de regra, ao abordarem a componente paraguaia como uma das causas do caos da Segurança Pública brasileira, limitam-se a elencar, contrabando, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

No entanto, ao estudarmos com atenção o fenômeno do desenvolvimento de nosso vizinho, e alertados pelos dois autores acima mencionados, verificamos que a situação é muito mais complexa. Tal como no Brasil, Rússia e outros países, o Crime Organizado, ali, encontra-se entranhado em todos os segmentos da Economia, permeando todos estamentos sociais e os distintos aparelhos do Estado.

Algumas destas ocorrências, ameaçam significativamente os povos vizinhos, notadamente o Brasil.

Podemos listar suscintamente :

– Tráfico de drogas

O Paraguay é o segundo maior produtor de maconha do mundo, sendo que a quase totalidade de sua produção tem como destino o Brasil ou o utiliza como rota para outros países.

O EPP – Exército do Povo Paraguaio, com aproximadamente 30 e poucos integrantes, atuando principalmente nas florestas do Norte, é catalogado pelos serviços de inteligência estrangeiros, mais como milícia a serviço da coca boliviana, do que um movimento insurrecional.

Inúmeros laboratórios de drogas sintéticas, notadamente, metanfetamina, produzem em larga escala e juntamente com outras drogas importadas, como ecstasy, fazem parte do cardápio ofertado aos brasileiros.

Farmácias de Ciudad Del Este, destino de mochileiros brasileiros, ofertam, juntamente com energéticos duvidosos, medicamentos falsificados, muitos deles oriundos da Índia.

Pasta base de cocaína, oriunda tanto da Bolívia, quanto da Colômbia, também são, de acordo com o DEA – Drug Enforcement Agency dos EUA, processadas em território paraguaio e levadas ao Brasil.

 

– Tráfico de Armas

Do Paraguay saem todo tipo de armas e munições para o Brasil. De diversas origens, municiam o crime organizado em nosso país.  Junto com armas e munições, toda sorte de equipamentos de espionagem.

–  Defensivos agrícolas e fertilizantes

O contrabando destes itens para o Brasil, tem crescido assustadoramente, pois não somente causa prejuízos a nossa Economia, como alto risco, tratando-se de produtos não fiscalizados, e eventualmente prestando-se a iniciativas de bioterrorismo.

–  Receptação de cargas roubadas no Brasil. Há pouco tempo o alvo destas quadrilhas era, principalmente veículos brasileiros roubados. Hoje são cargas sob encomenda.

–  Lavagem de dinheiro

Desde o caso do Banestado que envolveu também o Banco Amambay, que diversas instituições financeiras, casas de câmbio e doleiros, estão sob monitoramento internacional. O intenso comércio entre os dois países, bem como a necessária lavagem de dinheiro do crime organizado, tem formatado uma rede subterrânea de operadores de divisas. Não somente o crime organizado tem sido usufrutuário desta rede, mas também empresas e pessoas físicas, que pretendem ludibriar o fisco de seus países. Apesar de diversos acordos internacionais e de intensa vigilância, o Paraguay ainda é um dos paraísos fiscais, com acumpliciamento de suas autoridades. Hoje, predomina o Hawala, sistema informal de transferência de fundos, amplamente utilizado, por terroristas e até um bicheiro como Carlinhos Cachoeira. Ultimamente, tanto a indústria químico-farmacêutica, como redes de drogarias tem sido utilizadas na ponta do processo de lavagem de dinheiro de tráfico de drogas, armas, e mulheres.

Mas, segundo Saint Exupéry, “o essencial é invisível aos olhos” :

  1. Corroborando o ditado de que a maior esperteza do Diabo, é fazer os homens não acreditarem em sua existência, muitos apregoam a inexistência de membros do Hamas e do Hezbollah em meio a grande comunidade árabe na região da Tríplice Fronteira.

Mentira.

Muito antes dos atentados na Argentina à Embaixada de Israel e à sede da AMIA, que já era do conhecimento dos serviços secretos americanos e israelenses a existência de membros destas duas organizações na região. A partir dos eventos terroristas na Argentina, foi detectada também a presença de elementos do serviço secreto do Irã.

Óbvio que não existem campos de treinamento, sedes oficiais, mas muitos elementos destas organizações, quando acuados pela caça internacional ao terrorismo, homiziam-se no Paraguay. Com, ou sem consentimento das autoridades.

 

  1. Durante muitos anos, o Paraguay, constituia-se numa das poucas alternativas de reconhecimento diplomático para Taiwan. Junto, importante entreposto comercial para a indústria do país asiático. Junto também, a indústria da falsificação, desovada, principalmente, para o Brasil, através do contrabando formiguinha da Ponte da Amizade, e das megaoperações via lago de Itaipu.

Com o reconhecimento da China Continental, não cessou o relacionamento com Taiwan, porém novo protagonismo na área: a imigração chinesa e investimentos maciços chineses. Nem sempre de maneira legal. Tendo em vista as características da Economia Bandida, esta atividade, revestida em sua grande parte de informalidade e ilegalidade, trouxe, junto, o crime organizado dos países de origem: as Tríades Chinesas e Coreanas. Sendo que estas operam em sintonia fina entre Ciudad Del Este e a Cidade de São Paulo/SP.

  1. Com o desmantelamento militar das FARCs, na Colômbia, e a subsequente transformação da organização em agremiação política, parte de seus efetivos, rumaram para novos destinos dedicados à atividades ilícitas, principalmente subversão e tráfico de drogas. Se alguns membros adentraram a Amazônia Venezuelana e Brasileira, outros foram para o Paraguay.
  2. A visível falência do Bolivarianismo, tem suscitado, não somente o caos econômico e social nos países envolvidos nesta aventura ideológica, notadamente a Venezuela, mas também o desvio de divisas por parte dos mandatários que se sentem ameaçados a curto prazo. Daí, recursos levados clandestinamente ao exterior. Inclusive para o Paraguay.
  3. A Operação LAVA JATO, no Brasil, executando uma faxina geral, tem ocasionado um corre-corre em meio a empresários e políticos, intentando esconder seus malfeitos, desviando recursos, transferindo bens e fugindo à fiscalização tributária. Daí, muitos, sob a capa de utilização da Lei Maquila, se instalarem, precariamente em território paraguaio. Em breve, as investigações brasileiras comprovarão esta assertiva, e seguramente, o governo paraguaio terá problemas.
  4. Recentemente o Presidente paraguaio, Horácio Cartes, visitou o Brasil. Conforme a pauta oficial do encontro, entre os assuntos, um acordo para combate ao crime organizado na fronteira dos dois países. Segundo informações não confirmadas, Cartes, ofereceu em troca, apoio a iniciativa de privatização a Usina de Itaipú. Horácio Carte imita os governantes brasileiros, que antes de eleitos, prometem combate renhido ao crime organizado. No poder vivem em amancebamento com o mesmo. Vide governos FHC, Lula, Dilma e Temer.Horácio Cartes é uma das maiores fortunas do Paraguay. Um dos maiores fabricante de cigarros do mundo. Ano passado, uma operação conjunta da Polícia Civil e Ministério Público de São Paulo, desbaratou quadrilha de contrabando de cigarro que lavava o dinheiro, adquirindo postos de combustíveis. Cigarros do Paraguay.

 

Dia 17 de dezembro ocorrerão prévias eleitorais dos partidos do Paraguay, para escolha de seus candidatos à Presidência da República, em eleição que acontecerá em abril do ano vindouro.

O partido com reais condições de ganhar o pleito é o Colorado.  Que por sua vez, marcha para as prévias com dois candidatos. O candidato de Cartes, situação, é Santiago Peña, ex-ministro da Fazenda e ex-diretor do Banco Central.

O dissidente, MARITO, Mário Abno Benitez, da facção Colorado Añetete, senador e formado em Marketing nos Estados Unidos, é o franco favorito até a presente data.

Marito, incluiu em sua plataforma de governo, o combate ao crime organizado. Apesar de todos candidatos seguirem the book, incluindo isto em sua fala, inexistem indícios de comprometimento dele com o submundo paraguaio. Não obstante, deva se acautelar com os apoios e alianças contaminados por origens obscuras. Ninguém ignora, que quem dispõe de liquidez financeira e meios de camuflagem de origem de recursos para o apoio político é o crime organizado. Não somente no Paraguay, como em todo o mundo. Marito tem que ficar esperto. Pois, depois de Cartes, a expectativa é de mudança de rumos no país vizinho, que gere, com outras condicionantes, paz em território brasileiro. Torço para isto aconteça, senão, em futuro próximo, em termos de instabilidade e risco geopolítico, o Paraguay, na América do Sul, será a “bola da vez”!

 

 

BRASIL E PARAGUAY CONSIDERAÇÕES SOBRE O FUTURO PRÓXIMO

JOSÉ CARLOS PEREIRA
* Tenente-brigadeiro da Aeronáutica Brasileira e Ex- Presidente da INFRAERO.

 

Brasil e Paraguay são países vizinhos, amigos e membros do Mercosul.  Em breve, teremos eleições presidenciais no Paraguay, e, em 2018, no Brasil.  Ao contrário do Brasil, que atravessou a maior crise econômica de sua história e só agora apresenta sinais claros de lenta recuperação, nosso vizinho apresenta extraordinária vitalidade em sua economia – entre 2010 e 2013 teve expansão do PIB entre 13% e 14%.

Apesar de crises políticas internas e complexas negociações sobre o Acordo de Itaipu, o Paraguay conseguiu atrair investimentos de várias naturezas, ocupando, entre outras posições, a de 6º exportador mundial de soja e milho e 8º de carne bovina, além de forte presença nas áreas de algodão, óleos comestíveis e eletricidade, sobretudo para o Brasil e decorrente do Acordo de Itaipu. Na área industrial, destaca-se na produção de cimento, tecidos e produtos em madeira e aço. A Zona de Livre Comércio de Ciudad Del Este é uma das maiores e mais movimentadas do planeta.  No entanto, mesmo com excelente desempenho econômico, o Paraguay sofre, como o Brasil, de profunda e cruel desigualdade social,  com grande parte de sua população em estado de pobreza além de sensível percentual na pobreza extrema.

Um fator altamente preocupante no Paraguay é o desenvolvimento crescente de operações criminosas ligadas à produção e tráfico de drogas, tanto de origem  local como advinda de outros países, especialmente da Bolívia.  O fluxo natural do tráfico destina-se ao Brasil, não apenas como consumidor, mas, sobretudo, como passagem para distribuição na Europa e América do Norte.  Na região Norte do país instalou-se uma organização guerrilheira – Exército do Povo Paraguaio (EPP) – que se apresenta com objetivos políticos, mas, de fato, atua como facilitador de operações de tráfico oriundo da Bolívia e fonte de financiamento para suas operações.  É de suma importância a percepção da fortíssima presença de organizações criminosas brasileiras na extensa atividade do referido tráfico internacional de drogas. Deve-se acrescentar que, além de drogas, o sistema constitui o principal componente para contrabando de armas e munições destinadas a toda sorte de atividade criminosa. Particularmente no Brasil, tal fluxo de armas já constitui motivo de preocupação ao nível da segurança nacional e suas instituições.

No Brasil, vivemos brutal crise econômica recessiva, oriunda de erros crassos de gestão, ao lado de crise política sem precedentes.  No momento, há evidências de alguma perda de influência da política na economia, com claros sinais de recuperação econômica, apesar de profundas incertezas no campo político.  Houve claro retrocesso nos avanços sociais com crescimento do desemprego e redução de renda; aguarda-se para breve  a retomada dos programas corretivos de natureza social, na medida em que a economia recupera volume e confiança nos investimentos.

Avaliação sensata e isenta de preconceitos de qualquer natureza mostra que Paraguay e Brasil apresentam, no momento, excelente oportunidade para, tanto no âmbito do Mercosul como bilateralmente, planejarem e executarem ações incisivas em prol das duas nações e seus povos. Tais ações passam compulsoriamente por aumento de confiança e facilidades operacionais para agentes financeiros tanto nacionais como estrangeiros e seus mais diversos tipos de investimento. A interdependência entre Brasil e Paraguay é de grande extensão e vai de energia elétrica a logística de transporte. Existe enorme área de cooperação a ser explorada nos setores  de saúde pública, educação, tecnologia, turismo e produção industrial.  Atenção muito especial deve ser aplicada na área de segurança pública, particularmente nas operações do crime organizado internacional,  capaz de incapacitar a produção, afastar investidores, gerar represálias internacionais e promover insegurança generalizada. Parece óbvia a necessidade de ampla coordenação e cooperação entre as forças de segurança dos dois países, particularmente na área de Inteligência, para que se estabeleça uma segurança aceitável para nossas populações. Esse é um tema para nosso amigo João Berka, especialista em segurança e na sua manutenção.

Que se cumpra a lei, doa a quem doer!

      

Caros amigos

É revoltante assistir às reações de políticos face à situação caótica em que se encontra o País. Em um círculo vicioso de acusações, eles se manifestam como se a responsabilidade pelo desastre fosse de todo o mundo menos de cada um deles, quando, na verdade, entre incompetência, cafajestagem, rapinagem e ignorância, poucos são os “otários” que por compromisso com a ética e com a honestidade preservaram as suas reputações e não se envolveram no assédio ao erário.

No meio do povo, a grande vítima, há também responsáveis, porquanto um percentual ainda significativo de pessoas – por absoluta ignorância e apesar dos pesares – insiste em dar crédito à mentiras e em viver de ilusões.

Identificamos no Congresso algumas grandes quadrilhas,  como o PT, o PMDB e o PSDB, um lote de alcateias e alguns lobos solitários, todos, junto com a Suprema Corte, alvoroçados e acuados pela revolta do povo esclarecido, por malas de dinheiro, gravações, delações, vídeos e evidências investigadas e processadas pela polícia, pelo Ministério Público e pela Justiça de Curitiba, de Porto Alegre e de alhures.

É inútil querer tapar o Sol com a peneira e fingir acreditar que o gesticulante e verborrágico Michel Temer – há anos no meio dessa balbúrdia criminosa, cercado por “amigos de confiança” que precisam até de apartamentos para guardar a quantidade de dinheiro que roubaram – possa, nessas condições, ser uma ilustre, pura, ingênua e inocente vítima da má vontade do Procurador Geral, por mais venal e comprometido que este seja!

Nunca gritei “Fora Temer”, mas, tanto quanto Lula da Silva, Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima e outros, ele não é inocente e não há como não ser investigado, processado, julgado e punido! Pode haver um porquê ou uma discutível justificativa para protelar essas ações, mas não há qualquer razão para que não encaremos de frente esta realidade e a fatalidade de termos essa funesta cadeia sucessória na Presidência da República!

Levaremos mais do que uma geração para corrigir o mal que nos foi causado por esses bandidos e não há qualquer razão que justifique tergiversar ou aceitar remendos na busca da correção, mesmo que isso signifique protelar o início da recuperação. Chega de meias-solas, precisamos de um Brasil novo e não de mais do mesmo!

Que se cumpra a lei, doa a quem doer!

Gen Bda Paulo Chagas

ESQUIZOFRENIA SOCIAL

(Gen Ex Maynard Marques de Santa Rosa)

 

A transição atual é prolífica em extravagâncias que espelham interesses de todo o tipo, ensejando uma agenda surpreendente.

A proposta de trocar o sistema presidencialista pelo parlamentarismo, porém, é tema recorrente. Os políticos costumam culpar o presidencialismo dito de coalizão ou semiparlamentarismo, por tornar o poder executivo refém do Legislativo. Marotamente, omitem a causa da desarmonia: o parlamentar em função executiva. Pelo certo, o senador ou deputado, ao aceitar cargo no executivo, deveria perder o mandado legislativo, em favor do princípio da independência dos poderes. Da mesma forma, fingem esquecer que a soberania popular, fonte de todo o poder, escolheu o presidencialismo puro, em dois plebiscitos recentes. Além disso, é inoportuna. Uma reforma que delega mais autoridade ao estamento político, no momento mais crítico da sua credibilidade, é uma insensatez.

Outra preocupação relevante é a da violência urbana. Embora seja notória a crise geral de insegurança pública, o tema não consegue espaço na agenda legislativa. A redoma psicológica em que se abrigam os legisladores no Congresso parece torná-los insensíveis ao sofrimento refletido no índice macabro de 60 mil homicídios/ano, que supera o total de baixas somadas na Síria e no Afeganistão. A realidade social mostra que os códigos vigentes no país estão defasados. Uma explicação para o imobilismo seria a alienação ideológica.

Contudo, não se restringe ao âmbito legislativo o distúrbio da insensibilidade. A crise econômica e o desemprego de 14 milhões de pessoas não chegam a comover as corporações dos poderes públicos, responsáveis pela expansão de supersalários que transcendem os limites legais. Sobre fenômeno similar, escreveu Alexis de Tocqueville, em “O Antigo Regime e a Revolução”, que as teses dos enciclopedistas eram temas da moda dos nobres da França do século XVIII, nos convescotes de Paris e nos saraus da Corte de Versailles, como se não lhes afetassem a própria sobrevivência. Mais do que anomalia emocional ou moral, seria um sintoma de esquizofrenia social.

Outro aspecto contumaz da agenda subliminar é a chamada teoria do gênero. Inventada na Europa por pensadoras feministas, pretende alterar as leis da natureza, ao derrogar os sexos, como se o homem e a mulher fossem espécies diferentes dentro do gênero humano. O que surpreende é a assimilação do conceito pela grande mídia, que vem conseguindo inculcar a aberração na sociedade, até alcançar a legislação governamental.

O fato é que o humanismo perdeu o rumo e transpôs os limites razoáveis, ensejando um ambiente cada vez mais permissivo. O Brasil, por mais de quatro décadas, tem sido vítima de campanhas “construcionistas” que subverteram os valores sociais e desnortearam o senso comum da população. O bombardeio populista e ideológico, a partir da Constituinte de 1988, consolidou uma cultura de direitos sem deveres e minou o princípio da autoridade. O resultado se mostra nos indicadores de corrupção, violência e impunidade. Para agravar, escasseiam as lideranças políticas. Chegamos, assim, ao limiar da ordem política, econômica, social e jurídica. Portanto, é hora de reação, antes que o faça o instinto de sobrevivência coletivo, criador potencial de cenários escatológicos.

A ordem social que repousa em base falsa torna a sociedade suscetível ao presságio bíblico: “Quando vierem as chuvas, subirem os rios, soprarem os ventos e a vierem açoitar, ela ruirá, e grande será a sua ruína” (Mateus, 7:25).

Condomínios, um desafio da Segurança Pública no DF

JC Berka

Autor do livro EXECUTIVOS, POLITICOS & BANDIDOS

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Dados do GDF nos dão conta de que hoje Brasília conta com quase 100 condomínios regularizados e mais de 500 irregulares. De acordo, também com estes dados um entre quatro brasilienses vivem em condomínios.

Qualquer ser racional questiona a atual situação destes aglomerados humanos. Iniciado o loteamento ou fracionamento, ou mesmo a invasão, corre o Estado a instalar luz e água. Em seguida, ligeirinho, todos os tributos são cobrados. IBAMA e GDF fiscalizam arruamentos e edificações.

No período pré-eleitoral esta massa populacional não é ignorada. Pelo contrário, fagueiros e sestrosos os candidatos fazem um périplo pelos diversos condomínios, arrebanhando votos em troca de promessas de agilização dos processos de regularização.

Não bastante, picaretas de todos os naipes, corretores, donos de imobiliárias, burocratas e mesmo senador, correm a cobrar o naco do business da regularização.

Este assunto constitui-se um dos grandes escândalos de Brasília. Os partidos alternam-se no Poder local e a prática é sistêmica e sistemática. A picaretagem com terras e a manipulação do PDOT – Plano Diretor de Ordenamento Territorial, com adequações a interesses espúrios, com a manipulação de gabaritos e destinação de glebas, tem se constituído numa das grandes mazelas nestas plagas do Planalto Central.

Mas o enfoque que queremos dar é diferente: A questão da Segurança dos Condomínios e a influência na Segurança Pública do Distrito Federal é o objetivo desta abordagem. Vejamos:

Há muito que é política do GDF eximir-se da responsabilidade da Segurança Pública nos condomínios. Sob alegações alternadas de que falta efetivo, ou que estes aparelhos residenciais se constituem propriedade privada, tanto a Polícia Militar quanto a Civil, não circulam dentro dos condomínios.

Assim, ficam os mesmos, encarregados da própria segurança, recorrendo a estruturas orgânicas e/ou terceirizadas.

Via regra, recorrem ao mercado da utilização de porteiros, vigilantes e vigias. Ora, se no âmbito da Segurança Bancária, onde há fiscalização da Polícia Federal, onde o sindicato da categoria está mais presente, onde as cláusulas dos acordos coletivos de trabalho são mais efetivos, a situação é complicada, com elementos despreparados, mal recrutados e mal formados, no segmento condominial a situação é mais calamitosa.

Além dos efetivos de vigilância serem, quase sempre despreparados para a função, os mesmos, salvo honrosas exceções, são conduzidos por pessoas sem formação profissional. Quase sempre acumulam as funções de gestores administrativos ou operacionais (limpeza, conservação, etc.) com a chefia da segurança.

Quanto ao aporte tecnológico, os condomínios repetem o usual no restante das cidades : tecnologias ultrapassadas ou inócuas, disponibilizadas por empresas sem maiores compromissos com a segurança dos clientes : são meros vendedores de quinquilharias.

Claro que existem saudáveis exceções, mas estas são ignoradas em nome do mercado, ou melhor, na leitura equivocada do mesmo – menor preço!

Qual é o cenário? Lembrando sempre que nos referimos à grande maioria e não aos poucos exemplos que destoam do quadro geral.

A expressiva maioria dos condomínios não possui o perímetro bem delimitado, ou protegido. Muitos são limitados por áreas de preservação ambiental, impedindo o cercamento ou a instalação de equipamentos de proteção do perímetro. Em áreas de relevo acidentado são proibidas edificações que se situem em determinado grau de elevação, impedindo a construção de torres-vigia, mirantes ou simples observatórios. As portarias, cuja existência tem sido objeto de questionamento do poder público, constituem-se talvez no único aparato com destinação precípua à segurança das instalações. Mesmo assim, a maioria não obedece a critérios técnicos do conceito de security by design, isto é , adequação da arquitetura, na fase de projetos, aos reclames da necessidade de segurança. Obedecido este simples critério, tem-se a otimização da segurança como um todo com a concomitante redução de gastos com periféricos eletrônicos ou eletromecânicos.

Os controles de acesso são ineficazes, seja por condições técnicas, seja por incúria da segurança, seja por ação ou omissão de moradores avessos a qualquer tipo de controle. A vigilância, normalmente é executada por sistema de rondas, motorizadas ou não. Também este quesito é insatisfatório. Raros são os condomínios que exercem controle apurado sobre a observância das normas de vigilância.

Óbvio que neste cenário negativo, surgem ilhas de eficiência e as exceções somente confirmam a regra.

Que tipos de ocorrência se contrapõe à imagem de segurança dos condomínios? Certamente que tudo que ocorre fora dos condomínios, ocorre, também dentro dos mesmos. Ocorrem furtos, estupros (raros), tráfico de drogas, pedofilia, voyeurismo, agressões, etc. Porém um tipo de incidência tem chamado a atenção : invasão de domicílio :  tem condomínio que num período de seis meses teve mais de trinta furtos a residências!

Curiosidade: na maioria das residências furtadas, somente foram levados aparelhos eletrônicos, mais especificamente, televisões e aparelhos de som e vídeo. E este fenômeno tem se repetido em diversos condomínios, por todos os quadrantes do Distrito Federal. E isto é sintomático: via de regra é indicativo de furto para manutenção de vício de atravessadores de droga que consomem mais do que deviam e buscando saldar seus débitos com o traficante, recorrem a furtos de objetos facilmente aceitos por receptadores.

O tráfico e consumo de drogas correm soltos. E não é somente garotada adolescente, muitos circunspectos senhores grisalhos, remanescentes da Época de Aquário, dão seus pitacos e cafungadas, em público, sem constrangimento, e protegidos por uma lei de silêncio, tácita, que protege traficantes, passadores e usuários! Inúmeras denúncias à polícia, sem êxito. Raramente a polícia, comparece, e quando o faz normalmente é para periciar residência alvo da ação de meliantes.

Um fato preocupante que tem ocorrido é a atuação, esporádica, de policiais, da ativa, sendo contratados para prestarem serviço de vigilância; além de ilegal e irregular, pode descambar para a criação das indesejáveis milícias, que cedo ou tarde integrarão o crime organizado.

Mas o mais preocupante, e o que motiva esta abordagem é o tráfico de drogas. Tendo um mercado cativo, à mão, sem risco de perseguição policial e com uma população abundante e com bom nível aquisitivo, têm-se as condições ideais para gerar uma estufa da criminalidade, pois transformando alguns condomínios em entreposto da droga, podem espraiar-se por todas as cidades do DF, com mais segurança.

Ao analisar vários condomínios, com a finalidade de elaborar diagnóstico de Segurança, lembrei-me das cidades-refúgio do Antigo Testamento da Bíblia, onde homicidas involuntários refugiavam-se para fugir da Lei de Talião.

Alguns elementos mais antigos do estamento policial do DF, dizem que há muitos anos atrás, era entendimento da cúpula policial de que era necessário deixar alguns territórios para a criminalidade homiziar-se, evitando assim que atuassem massivamente no centro e trazendo o conflito para áreas urbanas elitizadas e priorizadas por uma Política de Segurança equivocada.

Não acredito. Acredito mais em incúria ou comprometimento de certos segmentos policiais com o crime organizado.

Porém, o mais importante é contribuir com ideias e atitudes que possam responder às necessidades de mais Segurança da população.

Sugiro à Secretaria de Segurança do DF, que procure, em parceria com a iniciativa privada, estudar o tema e através de grupo técnico de trabalho, sem politicagem, estabelecer uma política de segurança para os condomínios. Esta postura não somente traria uma diminuição dos níveis críticos de Segurança, melhorando as estatísticas, mas também traria dividendos políticos para os governantes que abraçarem esta causa.

Um dos problemas enfrentados por inúmeros síndicos ou comissões de segurança dos condomínios, remete ao dilema de implementar projetos de segurança e não onerar demasiado os condôminos. Quase sempre as taxas cobradas mal dão para honrar os compromissos com folhas de pagamento de funcionários e uma ou outra obra que se faz necessária à conservação e manutenção destes aglomerados urbanos.

Por isso seria de bom alvitre o estudo de um projeto-piloto, que contemplasse um condomínio, constituindo-se laboratório para os demais, somando os esforços do poder público e da iniciativa privada.

Uma ideia que talvez merecesse ser estudada era trazer o Banco de Brasília para exercer seu protagonismo como instrumento de politica social do DF. O Banco, assessorado por equipe técnica, aportaria o instrumental tecnológico, sob a modalidade de leasing, e/ou como agente financeiro de verbas da União a fundo perdido, e expandindo seu cardápio de serviços, faria seguro pessoal, saúde, de residências, seria o gestor financeiro do condomínio, etc.

Tenho certeza de que somando esforços, governo e população, chegarão a bom termo na resposta a este desafio, na busca de bem estar dos brasilienses.

BRASIL O IMPÉRIO DA INSENSATEZ IV

JC Berka

Autor do livro EXECUTIVOS, POLITICOS & BANDIDOS

 

Desintegração e Caos

Assista : O Brasil de Hoje

 

A impressão que se tem é que o país está anestesiado. Passada a indignação com os governos petistas, que levou milhares às ruas, vemos a abulia coletiva. Mesmo com a imprensa torpedeando diuturnamente, mesmo com operações diárias da LAVA JATO, mesmo com prisões de figurões e com a violência aplastante em nossas cidades, mesmo com o custo de vida em disparada, mesmo com a falência total dos serviços públicos, o povo encontra-se em estado catatônico.

Seguramente, nos demos conta de que trocamos seis por meia dúzia. A quadrilha do PT, pela quadrilha dos consorciados no butim do Brasil. Aí incluídos pilantras de todas as siglas partidárias, autoridades do Executivo e Judiciário, banqueiros, empresários e veículos de comunicação. O gnomo TEMER, o velho travestido de novo, usufrutuário de todas as pilantragens dos governos petistas, intenta com parceria de HENRIQUE MEIRELLES, simulacro patético de ser humano, repassar a ideia da Grande Mudança, acenando com reformas realizadas a toque de caixa, e processo criminoso de compra de votos no Congresso.

Falando em Congresso, chegamos ao nível mais baixo em termos de moralidade e ética. Depois do safardana CUNHA, presidente da Câmara, temos EUNÍCIO OLIVEIRA, na presidência do Congresso. Quem em Brasília, medianamente informado, desconhece que é este corrupto? Quem no meio político, ignora sua trajetória e peraltices?

Esta é a medida dos homens que nos representam no Legislativo. Este é o substrato do povo brasileiro. Pobreza e indigência mental, mantém esta corja pontificando nos acordos, conchavos, propinoduto, enfim, tudo, menos em legislar em benefício do povo.

E nosso Judiciário?

Vamos nos ater somente na Suprema Corte.

Como explicamos a presença no cume de nosso Judiciário, figuras como : TOFOLLI, MORAIS, GILMAR MENDES, MARCO AURÉLIO e LEWANDOWSKI? Quem no meio político, empresarial e dentro dos órgãos de Segurança e Inteligência, ignora quem são estes personagens? Como podemos aspirar JUSTIÇA, com estes operadores mercenários?

Irresponsáveis de todos os naipes, pontificam serem nossos problemas de origem econômico-financeira. Que as reformas da Previdência, do Trabalho, Tributária e Política, vão nos conduzir ao Nirvana.

Mentira!  Nossos problemas são de ordem Moral, Ética. De escala de Valores invertida. Mudanças patrocinadas por quem compra voto, e por quem se prostitui na vida política, somente pode engendrar aberrações para obnubilarem corações em mentes. A classe política brasileira, sem exceção, tal o grau de conivência ou omissão com os desmandos governamentais, são filhos de chocadeira. Sem compromisso com as gerações atuais e futuras. Verdadeiros gafanhotos da riqueza brasileira, gente cuja única utilidade é transformar oxigênio em gás carbono.

Mas vejamos um pouco mais além:

Um país que tem 60.000 homicídios por ano; tem 250.000 pessoas desaparecidas anualmente; é o primeiro fornecedor da América Latina de mulheres para o tráfico internacional; segundo maior consumidor de drogas; tem o terceiro lugar em massa carcerária; com ocorrência enorme de estupros e pedofilia; campeão mundial de roubo de cargas; de acordo com a Transparência Internacional, o campeão de corrupção na América Latina, somente perdendo para países africanos, é também o país onde tem crescido a mortalidade infantil e o analfabetismo, que, quase extinto nos governos militares, voltou a crescer exponencialmente.

Um país cujas igrejas, de qualquer denominação, omitem-se, pecaminosamente, ficando do lado dos poderosos, em troca de benesses. Sou cristão, mas tenho vergonha da dita “bancada evangélica, dos pastores televisivos, gente que vende a “prosperidade aqui e agora”, da CNBB, acumpliciada com o Poder, omissa no denunciar o grande pecado social, quando num passado recente, apequenou o Evangelho sob a ótica marxista e foi conivente com os descalabros dos “socialistas sul-americanos”.

Um país, prenhe de repórteres investigativos, de uma mídia expoente em termos de tecnologia, mas que produz, diuturnamente lixo para deseducar e massificar um povo.

Um país, com 400.000 médicos, que se insurgiram com o programa “Mais médicos” e são protagonistas do descalabro da saúde pública, dos planos de saúde privados, do conluio com a indústria químico-farmacêutica, consagrando por omissão ou cumplicidade crimes contra a vida de um povo.

Um país com mais de um milhão de advogados, vive num dos mais injustos países do mundo, onde as estrelas da profissão são coniventes com o crime organizado e lucram como nunca com aqueles que surrupiaram os cofres públicos, consagrando-se num mix de rábula & sofista. Gente cuja inteligência foi colocada a serviço do Mal. Lembremo-nos de MARCIO TOMAZ BASTOS.

Para não me alongar, quero tecer algumas considerações:

Os horizontes plúmbeos já prenunciam uma verdadeira hecatombe brasileira. Sem ser catastrófico ou profeta de uma síndrome do terror, mas racional, afirmo que não sairemos deste grave momento da vida nacional, sem sofrimento. Não existe parto sem dor.

Com o tecido social esgarçado, o organismo contaminado, é impossível a desejada sanidade sem sangria. Agora, finalmente, veremos que o “ jeitinho brasileiro” procrastinador de soluções reais e definitivas, não resolve.

Não somos um povo dócil, amável, não dado a conflitos: basta ver o número de cadáveres que produzimos sem guerra, ou sem cataclismos naturais.

Somos violentos. Somos letais. Matamos por nada. Somos um povo enfermiço.

Aí, as novas “vivandeiras dos quartéis” num assédio constante, buscam agitar a caserna para “salvar o Brasil”.

Diante da escalada violenta do crime, da falência dos serviços públicos, do processo irredutível da corrupção com ou sem LAVA JATO, vamos assumir a guerra não declarada, a guerra assimétrica, já em curso.

Neste contexto, a perplexidade é total: e os militares?

Para quem tem memória ou idade, estamos muito piores do que em 64.

Serão os comandantes militares de hoje, feitos de argamassa distinta dos que os precederam? Seriam os de ontem machos, e os de hoje acovardados? Foram acumpliciados pelas benesses do Poder?

Hoje estão cabrestados por instrumento constitucional? Foram castrados por “comissões da Verdade”, condenações em fóruns internacionais?

Esperam o pedido de socorro da sociedade civil?

O sangue nas ruas ainda é pouco?

Não creio.

Graças a Deus, nossos militares não tem vocação para guarda pretoriana do Poder. Tenho certeza de que todos aqueles que aceitaram fazer parte deste desgoverno TEMER, são os mesmos que repudiavam a corja petista.

Eu, como maioria dos brasileiros lúcidos, não queremos um GOVERNO MILITAR, mas não há possibilidade de enfrentamento da atuais condições adversas, sem o protagonismo militar.

Quero, que a mensagem do estamento militar para a POVO BRASILEIRO, seja a dos espartanos no Desfiladeiro das Termópilas, na Antiga Grécia, quando da defesa de Esparta: a subordinação do Poder Militar ao Poder Civil.

Mas agora, devemos ter coragem de assumir posições.

É imprescindível uma intervenção militar. Temos que evitar uma sangrenta guerra civil.

Umas das primeiras medidas deverá ser o FECHAMENTO DO CONGRESSO.

Uma intervenção no SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.

A busca na comunidade Acadêmica de Profissionais para ajudarem na administração do Brasil de hoje, muito mais complexo que em 64.

A restruturação dos Aparelhos de Estado, de Segurança e Inteligência.

O apoio incondicional à LAVA JATO, como instrumento saneador da sociedade brasileira.

 

Por incúria ou omissão, todos nós, ajudamos a desconstruir este belo país. Cabe um mea-culpa coletivo e a coragem da mudança.

Não podemos ficar alheios ao sofrimento do pobre, do fraco, do desvalido, do infante e do velho.

Senão, valerão as palavras de JOHN DONNE, citado por HEMINGWAY:

“ Não perguntes por quem os sinos dobram, eles dobram por ti!”

 

Assista este vídeo:

BRASIL O IMPÉRIO DA INSENSATEZ III

JC Berka

 

O sistema carcerário brasileiro

 

“ Lasciate ogni speranza a voi ch’entrate”

                                                      A Divina Comédia de DANTE ALIGHIERI

 

No início do Governo de FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, fui contratado para fazer um estudo sobre o sistema carcerário brasileiro, focando nas instalações carcerárias e sua gestão.

Um grupo de construtoras nacionais que possuíam instalações industriais de pré-moldados, voltados a construção de CIEPs (ou CIACs) escolas de tempo integral, idealizadas por DARCY RIBEIRO e executadas por LEONEL BRIZOLA, foram prejudicadas por uma medida de ITAMAR FRANCO, que paralisou o programa. Como estas construtoras tinha financiamento do BNDES, para estas estruturas, buscavam dar nova destinação às mesmas.

Sabedor do déficit de vagas no sistema carcerário, sugeri, estudo para readequação da linha de montagem, com o fito de produzir presídios pré-moldados, com alto nível de automação e segurança, em regime de parceria público-privada.

Contratado, iniciei meu trabalho, no Ministério da Justiça, no Departamento Penitenciário Nacional, entrevistando autoridades e técnicos; prossegui na CNBB, onde o presidente D. LUCIANO MENDES DE ALMEIDA, propiciou o acesso as instalações da APAC – Associação de Proteção e Assistência ao Apenado (projeto inédito de instalações carcerárias geridas e administradas pelos próprios presos); autorizado pelo Governador de SP, FLEURY, e pelo chefe do Departamento Penitenciário de SP, JUNQUEIRA, visitei unidades daquele estado; visitei unidades em SC, RGS. Junto com a empresa paulista GRUPO PIRES, que em parceria com a americana WACKENHUT, uma gigante da segurança privada americana, que administrava instalações carcerárias nos EUA, Canadá e Inglaterra, elaborou projeto para implantação desta modalidade no Brasil, me debrucei sobre o tema de privatizações das mencionadas instituições. O Brasil possuía na época 116.000 apenados. Necessitava há época mais 20.000 vagas.

Na época a radiografia do sistema carcerário já era monstruosa. A frase de Dante, retratava fidedignamente o que esperava aqueles que ingressavam no sistema. “ Deixai qualquer esperança, vós que entrais”!

O filme CARANDIRU, retrata sem sombra de dúvida a realidade das masmorras brasileiras. Posso afiançar, que não houve nenhum acréscimo ou licença artística. Hoje todo o sistema carcerário, salvo algumas instalações federais, repetem o modelo que se constitui no grande crime aos Direitos Humanos, perpetrado pelo Estado Brasileiro.

Oriundo do segmento policial, sou defensor da Lei e sua aplicação. Entendo que o Estado deve propiciar segurança aos cidadãos, excluindo do convívio social e segregando aqueles despreparados ou não adequados para tal. Porém, sei que a pena deve ter dupla finalidade: punir e ressocializar. Sei que também a desproporcionalidade da pena, para mais ou para menos, gera impunidade ou altos índices de reincidência.

A injustiça praticada pelo Estado, tem efeito deseducador. Se não pune, incentiva, se excede na punição, gera os bestas-feras que perambulam em nossas urbes e amontoam-se nos presídios.

Ao findar meu relatório, entre outras medidas sugeridas, incluí a implementação de PPPs para propiciar a construção e administração das instalações penais pela iniciativa privada, ficando a aplicabilidade da pena restrita ao Estado. Também sugeri, aumento de colônias agrícolas, com novo perfil, tanto conceitual quanto de gestão. Ainda, presídios com instalações industriais.

Na época, as sumidades que pontificavam na área de Direitos Humanos, Criminologia, etc., tacanhamente, se posicionaram contra, assim como mais tarde posicionaram contra o uso de tornezeleiras eletrônicas e ainda hoje são contra o uso de polígrafos (detectores de mentiras).

Nesta época, vivíamos o boom da automação predial no Brasil. Começou-se a utilização da cablagem estruturada.

Muitas construtoras sem nenhum know-how neste tipo de construção, associavam-se à integradoras de sistemas de segurança, basicamente vendedores de sistemas de segurança e periféricos, e através de processos licitatórios nem sempre idôneos, construíram verdadeiras aberrações.

Visitei vários tipos de unidades prisionais. Dentre elas, a considerada mais moderna e segura naquele tempo: o cadeião de Guarulhos. Unidade construída para recepcionar detentos provisórios.

Acompanhado pelo diretor, avaliei sob o prisma da Segurança Física e Operacional a Instalação. Toda a construção com concreto duplo com treliça metálica para detectar vibrações: celas e clausuras com fechamento eletromecânico com acionamento remoto pelo centro de controle; sistema de controle de câmeras; muralhas duplas com zona de exclusão para tiro; área para ronda com cães; concertinas no alto das muralhas; torres de vigilância com vidros à prova de bala e escotilhas para tiro; zona para administração, refeitório, ambulatório e visita de advogados e familiares. Nesta instituição não existia visitas íntimas, pelo conceito de provisória. Mas a realidade era outra, presos amontoavam-se e aguardando indefinidamente a soltura ou ida para outro tipo de instalação.

Questionado sobre minha impressão do que vi, desiludi meus anfitriões e acompanhantes. Para mim, o que parecia extremamente seguro, configurava-se numa grave ameaça de Segurança.

Explico: sob a exteriorização de instalações extremamente seguras, escondia-se a grave falha conceitual. Tais instalações não foram idealizadas para a reclusão de homens. Mesmo animais, sob idênticas condições de confinamento, acabariam estressados e enfermiços. Nos apenados, o desespero da falta de horizontes, o calabouço medieval travestido de modernidade, ou geraria a apatia total, o que até seria parcialmente desejável, ou o desespero detonador de rebeliões e selvagerias.

Tempos depois, esta e outras instalações similares, comprovaram o acerto de meu prognóstico.

Somente para concluir, gostaria de lembrar o conceito security by design, imprescindível para construção deste tipo de instalação. Adequar-se o design à finalidade. Levando-se em conta todas as interveniências de conteúdo psicológico de cada medida.

Mas as mazelas do Sistema Prisional brasileiro, não se restringem às instalações. Mais do que inadequação das mesmas, a gestão e o balcão de negócios ilícitos é que provocam a barbárie e o morticínio, que no meu entender é a resultante de mentes doentias que em última instância incentivam a redução da massa carcerária através de eliminação por enfermidades, uso abusivo de drogas, disputas entre facções e rebeliões. Não acredito em acaso.

Tráfico de drogas, celulares, prostituição travestida de visitas íntimas, cantinas, armas, pombos-correios do crime organizado, enfim, sempre estão ligados às máfias do sistema prisional.

Mas não para por aí: verdadeira aberração, bicheiros e meliantes de todo naipe, exploram o negócio de refeições para presídios, possuem instalações industriais dentro de presídios, fornecem toda a sorte de serviços e produtos.

Quando fiz meu trabalho, as facções do crime organizado eram incipientes. Nestes anos, por incúria, omissão ou cumplicidade das autoridades, este câncer fez metástase por todo o sistema carcerário, espraiando-se por todo território nacional e atravessando fronteira, já atua nos países limítrofes.

Ao analisarmos a Insegurança Pública do país, elencamos as seguintes matrizes :  –  Delinquência comum, fruto da exclusão social, favelização de nossas urbes, saúde e educação deficiente

–  Crime Organizado, nacional ou transnacional, dedicando-se além do tráfico de drogas, armas e seres humanos, jogos ilegais, também a segmentos econômicos, descuidados pelo Estado, com, quase sempre, a cumplicidade dos agentes do mesmo

–  Questões geopolíticas instrumentalizadas por serviços de inteligência estrangeiros

–  Legislação deficiente e Judiciário muitas vezes comprometido

–  Estrutura policial ultrapassada, eivada de facetas equivocadas, propiciando ou estimulando a corrupção das instituições

–  Corrupção generalizada em todos estamentos da sociedade brasileira

–  Estrutura Carcerária, verdadeira geratriz da criminalidade, e por conta dos altos índices de reincidência, moto contínuo da violência.

 

Cada vez que a sociedade brasileira é confrontada com altos índices de violência, quando a Segurança passa a ser uma demanda generalizada, os governos lançam PLANOS DE SEGURANÇA.

Alguns gestados em laboratório, por especialistas que nunca sentiram o cheiro de pólvora. Outros, fruto da demanda corporativista das instituições. Nunca deu certo, nem vai dar.

Enquanto não encararmos com seriedade e compromisso com o POVO, vamos enxugar gelo, e caminhando, celeremente para o caos.

Nenhum PLANO DE SEGURANÇA que deixe de promover a reformulação das Instituições de Segurança e Inteligência, desvinculando-as de governos efêmeros, e transformando-as em órgãos perenes de ESTADO, terá êxito.

Nenhum PLANO DE SEGURANÇA que deixe de enfrentar o PROBLEMA CARCERÁRIO, terá êxito.

As duas questões são primordiais e indispensáveis.

Pode ser que agora, tendo um novo perfil somando-se a outros de ingressos no sistema carcerário, haja uma preocupação com o tema. Afinal, cadeia está deixando de ser exclusivamente para pobre. Empresários, políticos, agentes públicos, executivos, também, podem vir a ser hospedes das instalações correcionais do Estado Brasileiro. Sem regalias.

Aí, se nada tiver mudado, provarão do que inspirou DANTE :

“ Deixai toda a esperança…”

 

B R A S I L O IMPÉRIO DA INSENSATEZ II

JC Berka

 

 

Neste vídeo acima, o patriarca do clã Batista, ZÉ MINEIRO, apregoando a ética nos negócios, profeticamente, já dava pistas do que seria a verdadeira chave para o êxito e concretude de um conglomerado mundial de produção de alimentos, traído pelo subconsciente subjacente.

 

Este vídeo acima, sintetiza, intentando dar glamour à ousadia da dupla sertaneja JOESLEY & WESLEY, a trajetória do Grupo JBS, que sob a capa de empreendedorismo levado às ultimas instâncias, configura-se num dos maiores crimes perpetrados contra a Nação Brasileira.

Dinheiro do trabalhador (FGTS), direcionado para o BNDES, cevou estes meliantes e seus comparsas nacionais e estrangeiros.

Governantes e executivos dos Ministérios e do Banco, bem como toda a malta de políticos, usufruíram do que cinicamente denominavam criação de grandes players internacionais, mas que na realidade constituem-se o imbricamento criminoso da classe empresarial com o estamento político.

Propinas, subornos, contribuições para campanhas políticas, lavagem de dinheiro, aparelhamento dos órgãos de controle do MAPA, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica. Enfim, tudo, cinicamente, admitido na delação premiada da dupla sertaneja e do enfant terrible, RICARDO SAUD.

_._

Este vídeo, submetido a diversas perícias, que hora indicavam edição, e hora negavam, realizado, aparentemente com aparelho rústico (em forma de pendrive, facilmente encontrado na Rua Santa Efigênia em São Paulo) tinha a opção de ser acionado pela voz, o que pode explicar duzentas e poucas segmentações.

Mas isto não importa, este é um aspecto a ser considerado pela Polícia Federal e Ministério Público.

O que importa é o conteúdo e a atitude. De ambos : gravador e gravado.

Em primeiro lugar, a desfaçatez da fala de JOESLEY, o cinismo e a naturalidade com que fala com o presidente, somente se equiparam com suas falas ao MPF, quando faz sua parte ao acertado com RODRIGO JANOT. De tudo, duas ilações resultantes : tinha intimidade para tratar tema e no tom em que foi tratado, com o presidente, e dava provas cabais das características do sociopata, figura abundante na política e no meio empresarial.

O conteúdo só confirma o regime de compadrio nas relações governo X empresários. Ilicitudes e crimes são admitidos na cara dura, própria da utilizadas por elementos da mesma quadrilha. Não se percebe, em nenhum momento “ a liturgia do cargo” expressão popularizada por SARNEY;  aliás, outro quadrilheiro.

Outro aspecto a ser considerado: o ato de gravar.

Em gravar um Presidente da República, em sua residência, numa visita, digamos, informal, já que ocorreu em adiantada hora da noite, adentrando o visitando pela garagem. Sob determinação do presidente, o visitante não foi submetido aos procedimentos de praxe da Segurança.

Quando há muitos anos atrás, integrei grupo de segurança de dignitários,  exercendo minha função no Brasil e no exterior, era sabedor de que a proteção propiciada não era regalia da autoridade, mas um dever a que se submetia, visto ser seu cargo o alvo de proteção. Assim, Presidente, Ministros, Embaixadores, não podiam dispensar a Segurança, mas submeter-se às diretrizes operacionais elaboradas pela mesma.

Divulgada a gravação clandestina do presidente, dados vieram à tona.

Não foi uma atitude isolada de JOESLEY, mas uma tomada de decisão conjunta pelo empresário, MPF e Polícia Federal.

Esclarecimentos posteriores, justificaram a ousadia de gravar um presidente, com uma operação controlada, prevista pela Lei 12.850.

Enfim, mesmo não convencendo, pois o acordo firmado com o Ministério Público não satisfez o anseio de Justiça do povo, tendo em vista a magnitude dos crimes cometidos pela dupla sertaneja, fica como único ponto positivo, de que a Lei é para todos. Temos um ex-presidente denunciado e processado e o atual denunciado por crimes praticados no exercício de seu mandato.

Mérito da LAVA JATO.

Porém, fica a perplexidade diante do fato de que, ou houve falha e omissão da Segurança Presidencial, ou má-fé e conluio.

Quase na mesma época, foi divulgado que o presidente e seus ministros teriam aparelhos de comunicação criptografados. Mais uma vez, alguma coisa está errada. Não acredito em tanta incompetência. E se a explicação é que o entorno de segurança do Presidente está descontente com denúncias e envolvimento do mesmo em ilícitos, seria mais ético, pedir o boné e posicionar-se corajosamente pelo afastamento de Temer.

Nestes tempos bicudos de corrupção generalizada, acirramento da insegurança, imobilidade da máquina do Estado, o que menos precisamos é de conspiradores. Não acredito nesta hipótese. Afinal quando achamos que já passou a época de aprendizes de feiticeiros, e que GOLBERY, há muito já se foi, não podemos nos esquecer de que do caldeirão do Bruxo do Planalto não somente saíram acertos, mas também erros crassos e homéricos. LULA e PT, por exemplo.

Mas voltando à dupla sertaneja e seu repertório de cretinices, devemos aduzir que não comente conspurcaram o BNDES e sua destinação desenvolvimentista, mas tungaram os fundos de pensão, comprometeram Banco do Brasil e Caixa Econômica; ajudaram a eleger um bando de vagabundos; foram agentes ativos da corrupção da máquina pública, comprometeram o Ministério Público e o Judiciário, destruíram um sem número  de frigoríficos que adquiriram a preço de banana somente para serem fechados. Contribuiram para o desemprego, propiciaram concentração de renda, e coroando o saco de maldades, criaram a holding na Irlanda, passando seus ativos para controle no exterior, com o objetivo indisfarçável de fugir ao fisco brasileiro e aos compromissos com o BNDES.

 

-.-

 

Personagens importantes na inspiração, planejamento e execução deste CRIME LESA-PÁTRIA, o Grupo JBS.

No meu entendimento as operações deflagradas para investigar o Grupo, foram superficiais, riscando somente o verniz e, ainda, ignorando a profundidade e alcance das ilicitudes praticadas e ainda executadas.

Mais do que um centro irradiador de propinas, de cabresteamento do estamento político, o Grupo JBS em seu descompromisso com a Nação, em sua gula insaciável, pois além de ter que saciar os apetites infindáveis de seus donos e executivos, ainda tinha que atender a goela enorme dos políticos e burocratas do governo.

Neste mister, a ousadia sem limites, a insensatez e a aplastante sensação de impunidade, levou-os a desatinos que comprometem, não somente nossa Economia, a estrutura política, nossa incipiente democracia, desmoralizam os aparelhos de controle do Estado, mas, acima de tudo, comprometem o pouco de soberania que temos neste arremedo de Estado, chamado Brasil.

Acredito que os órgãos de controle, segurança e inteligência, deveriam auscultar alguns personagens que podem, de livre espontânea vontade ou coercitivamente, ajudarem a decifrar o labirinto das operações do Grupo, engendrados por gênios do Mal.

A começar pelo delator RICARDO SAUD; que sabe muito mais do que entregas de maletas e tabelas de propinas. Deve-se lhe perguntar sobre a distribuição de proteína animal na Europa, nos países árabes, na África, e principalmente, na Rússia. Intermediários, destinatários finais, sócios e parceiros ocultos, enfim o lado tenebroso do negócio. Ricardinho, como é conhecido pelos íntimos ou vítimas, é uma figura sui-generis. Elemento acostumado a palácios e ao bas-fond, tem papel preponderante nas peripécias e traquinagens do Grupo. Tenho certeza de que sua delação premiada cairá. E ocorrendo isto, todo o castelo de subterfúgios e manipulações do acerto dos meliantes com a PGR serão invalidadas. Então poderemos, realmente, começarmos a passar o Brasil a limpo.

Outrossim, entendo importante a tomada de depoimento de outros emblemáticos personagens que detém informações sobre este imbróglio :

Sobre a gênese do Grupo:

– DELFIN NETO –  ex –ministro da Fazenda e da Agricultura

– IRIS REZENDE – ex-ministro da Justiça e da Agricultura

– PRATINI DE MORAES – ex- ministro da  Agricultura

– HENRIQUE MEIRELLES – ex-presidente do Banco Central e ex-presidente do Conselho de  Administração do Banco Original do Grupo JBS e atual ministro da Fazenda.

 

Sobre o desenvolvimento e operacionalidade do Grupo:

– ANTONIO JORGE CAMARDELLI – presidente da ABIEC – Associação Brasileira da Indústrias Exportadoras de Carne

– MOHAMED ZOGHBI – presidente da FAMBRAS – Federação das Associações Muçulmanas do Brasil

– ENIO MARQUES PEREIRA – ex-ministro interino da Agricultura

– HENRIQUE MEIRELLES – Atual Ministro da Fazenda. Do Banco Central para o Banco Original; deste para o Ministério da Fazenda – sem Escalas. Ou melhor, quarentena. Escárnio!

– EDUARDO CUNHA – Ex-presidente da Câmara Federal

– ROBERTO RODRIGUES – Ex-Ministro da Agricultura

– WAGNER ROSSI –  Ex-Ministro da Agricultura PMDB/SP

– JOÃO HENRIQUE HUMMEL –  Frente Parlamentar da Agricultura

– ERENICE GUERRA – EX- Ministra da Casa Civil

– ANTÕNIO CARVALHO – Irmão de Erenice e parceiro de Ricardo Saud PMDB/GO

 

Finalizando.

Quando um Grupo propõe-se tornar um player  internacional, com a magnitude e importância do JBS; torna-se responsável por grande parte da proteína animal no mundo, produção e distribuição; assume, em conluio com políticos e burocratas o acesso privilegiado a recursos do Estado, via instituições de desenvolvimento, financia a campanha de 1890 políticos, infiltra-se nos órgãos de controle tributário, de vigilância sanitária; emplaca Ministro da Fazenda, mantém o Presidente e outros do Executivo e Judiciário reféns; manipula redes de distribuição em zonas de risco e/ou em guerra, deixa de ser um ganho para a Economia Nacional e converte-se em ameaça à nossa Soberania. Seja pela estimulada corrupção interna, seja pela irresponsável atuação internacional, com provocações perigosas aos interesses geopolíticos de outras nações.

Mais do que uma enciclopédia de crimes contra à ordem social e econômica, o Grupo JBS, deve ser encarado como ameaça à nossa Soberania, aos interesses pátrios e ao Povo Brasileiro.

CADEIA É POUCO!

B R A S I L O IMPÉRIO DA INSENSATEZ I

JC Berka

O mundo vivencia uma profunda metamorfose geopolítica, social e econômica. A escala de valores, invertida. Crenças sempiternas postas à prova, quando não negadas.  Os blocos ideológicos desfeitos transmutaram-se numa miríade de grupos que digladiam entre si. Aliados de ontem, inimigos de hoje.

Escassez de alimentos, exaustão de recursos naturais, paradoxo entre o avanço tecnológico e científico e a decadência moral, ética e espiritual resultam num quadro apocalíptico.

E o Brasil, parte integrante deste conturbado mundo, não passa infenso a este status quod.  Agravado por ser o eterno “país do futuro”, com ambições primeiro-mundistas. Com deveres, sem direitos, da destinação de celeiro do mundo.

A partir do fato de ser detentor de reservas de minerais estratégicos, de aquíferos gigantescos, de enormes extensões de solo agriculturável com insolação constante, reservas de hidrocarbonetos, gigantesco litoral rico em recursos naturais, a cobiçada Amazônia, que sob a capa de “pulmão da Terra” detém as maiores reservas minerais do planeta, mais do que alvo da cobiça internacional, tem sido, gradativamente, levado à condição de teatro de operações de intervencionismo do primeiro mundo, com ações, veladas ou não, de agressões à nossa Soberania.

Não bastante, sistema financeiro internacional, monopólio de tecnologias avançadas nos ramos das comunicações, militar, químico-farmacêutico, energia, agrobusiness, etc. mantém o país cabrestado a interesses externos.

Não somos donos de nosso destino. Não temos a celebrada independência de países soberanos.

Assim, tudo que ocorre em termos políticos e econômicos nestas plagas, analisado em primeiro plano, resulta numa miopia comprometedora da visão do quadro geral, miragem impingida e manipulada pelos interesses internacionais.

Por isso, o brasileiro em geral, aturdido pela sequência infinda de dissabores propiciados pelo Estado brasileiro, pelo quadro dantesco  do amancebamento da classe empresarial com a política, catatônico, vê um cenário de terra arrasada, onde não salva-se ninguém.

Se a LAVA JATO, veio descortinar o descalabro da corrupção generalizada, também serviu para dar-nos a sensação de que existe esperança, mesmo que a mesma mingue dia a dia.

Não sabemos para onde vamos.

Se nos serve de efêmero conforto, os iluminados, os estrategistas nacionais, tão pouco sabem.

Podem simular que conduzem os cordéis, mas todos sabemos que estas figuras notórias e caricatas, há muito já perderam o poder de ditar os rumos do país.

Vetustos e neófitos encenam para uma plateia anestesiada pela descrença, pela desilusão constante, pelas eternas promessas, pelo velho travestido de novo.

Nada de novo em Terras de Santa Cruz.

Na realidade, protagonizamos, todos, uma farsa burlesca. A grande farsa burlesca nacional. Vivemos no Reino do Faz-de-conta. Nada funciona, nada é para valer. Assim, por ação ou omissão, somos todos co-responsáveis pelo país que desconstruímos, pelos políticos que elegemos.

Desde o ignaro que troca seu voto por migalhas do banquete das elites, até empresários cevados por uma relação simbiótica com o Poder, nutrida pelo compadrio parasitário.

Como tudo no Brasil acaba em samba, escrevemos com nossas vidas o verdadeiro “samba do crioulo doido” .

Para reflexão:

– Após o governo maroto e entreguista de FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, o presidente mais nocivo aos interesses nacionais, e do psicopata FERNANDO COLLOR DE MELLO, fomos, muitos de nós, embalados pelo sonho de um governo moralizador, popular, defensor das minorias, corretor da desigualdade social: LULA-LÁ e a estrela do PT.

– No poder a farsa engendrada por GOLBERY DO COUTO E SILVA, WOLGANG SAUER, o sindicalismo europeu da DEMOCRACIA CRISTÃ e os inspiradores da TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO, revelou-se por inteiro : elegemos um canalha!

Sua corja, comprovando o adágio de que “ quem nunca viu mel, quando vê, se lambuza”, quando no poder, aparelhou o Estado, num desgoverno sem igual, repetindo o que faziam na clandestinidade : EXPROPRIAÇÃO (para eles; para os seres humanos normais, roubalheira pura e simples).

De uma só tacada destruíram os mitos de Direita X Esquerda, de Capitalismo X Socialismo. As recentes investigações e delações premiadas, revelam serem farinha do mesmo saco, grandes empresários, banqueiros, políticos, sindicalistas, membros das altas cortes do Judiciário, bicheiros, traficantes, policiais corruptos, milícias, advogados, etc.

– Os esforços de moralização, encetados pelo Ministério Público e Polícia Federal, tão aplaudidos pela população sadia, tem sido sistematicamente travados por ações veladas ou ostensivas de obstaculização . O protagonismo de RODRIGO JANOT, na Procuradoria Geral e de LEANDRO DAIELLO, na Polícia Federal, são indicativos claros de comprometimento. Ambos escudam-se na Operação LAVA JATO, cuja paternidade assumem indevidamente, e que cinicamente, sabotam.

– Após ejetar a deficiente mental, DILMA ROUSSEFF, o pacto político engendrado nos acertos do Judiciário e Legislativo, chancelado pela elite empresarial, substituiu seis por meia dúzia. Se DILMA, secundada por ladrões neófitos e tutela do FORUM DE SÃO PAULO,  colocou o país de quatro, MICHEL TEMER, e os “profissionais”, verdadeiros batedores de carteira, prenunciam o caos. No entanto, muita gente boa e bem intencionada, justifica esta fase, como necessária. Apregoam a ingente necessidade de reformas estruturais do Estado, para otimizar a governança, melhorar a Economia, dar credibilidade internacional a investidores, gerar empregos. Balela.

A Bíblia, já preconiza, pelos frutos se conhece a árvore (Mt. 7,16), assim, bananeira não dá maçã.

Pode sair algo de bom, para o bem do povo brasileiro, projetos elocubrados por figuras como, TEMER, PADILHA, MOREIRA FRANCO, GEDDEL, EUNICIO OLIVEIRA e HENRIQUE MEIRELLES?

E só para não assanhar a galera petista, se os mesmos projetos fossem da lavra de LULA, DILMA, GILBERTO CARVALHO, MANTEGA, MERCADANTE, DIRCEU, JACQUES WAGNER, seriam melhores?

Não!  Todos meliantes, farsantes e quadrilheiros ! Traidores da Pátria!  Num país sério, teriam pena capital ou apodreceriam nas masmorras.

Antes de tocarem a toque de caixa, reformas empurradas goela abaixo do povo, é imprescindível a realização da radiografia da real situação tanto da Previdência como do MTE .

Mas não, nem uma quadrilha, nem a outra tem interesse de tirar dos armários da burocracia os esqueletos que armazenaram nestes últimos vinte anos de descalabro. Roubalheira geral. Com a palavra, JANOT e DAIELLO.

Mudam-se as regras, atendem-se às exigências do empresariado nacional e investidores internacionais, bem como à Banca Internacional avalista e tutora do “quinta coluna” HENRIQUE MEIRELLES, e busca-se impedir a descoberta dos malfeitos e crimes nestas áreas.

Antes de mudança das regras da Previdência, uma auditoria isenta deveria levantar o alegado déficit da mesma. Ao mesmo tempo, cobrar os grandes devedores, apaniguados do poder, e financiadores desta corja que pulula no Executivo e Legislativo.

No Ministério do Trabalho e do Emprego, mesmo que mudanças se façam necessárias, o mesmo procedimento : auditoria e satisfação à Nação que purga o maior desemprego de todos os tempos, tanto de administrações anteriores como da atual.

Lembrando :

As denúncias contra administração de LUPI e MANOEL DIAS. Os envolvimentos do Ministério com o IMDC, instituição mineira, dirigida pelo meliante DEIVSON VIDAL, que envolveu inclusive o ex-secretário geral do Ministério.

Os contratos com a OPAS, referente a contratação dos médicos cubanos, verdadeira aberração jurídica de acordo com OIT,

Todos a estrutura sindical do país passada pelo pente fino, apurando desvios, inconformidades e ilegalidades.

Todos os contratos celebrados pelo Ministério, mormente os da área de TI, principalmente para aquisição de softwares para operacionalidade das funções do Ministério, entre eles os de prevenção a fraudes, não somente acompanhados por TCU e CGU, mas também pelas áreas técnicas do governo, mormente a DEFESA CIBERNÉTICA, visto a importância e volume de dados manipulados pelos programas do MTE .

Estas ditas “reformas estruturais” têm sido usadas como salvo-conduto para o gnomo TEMER, continuar na corda bamba. Precisa entregar aos seus financiadores e tutores o que prometeu. A recuperação da Economia. A volta do emprego. Anseio de uma população órfã e abandonada.

Então, a justificativa, o engana que eu gosto: dos males o menor.

Por isso, aliado ao pavor de retorno da corja do PT, o povo brasileiro encontra-se inerte.

Mas não só o povão continua embalado por este canto das sereias.

No próximo texto, procurarei dar continuidade à estas reflexões.

Quem são os cúmplices deste engodo, quem são os fiadores e os beneficiários.

Porque os prejudicados, já sabemos todos : somos nós os brasileiros!

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